Primavera terá chuva irregular e temperaturas elevadas no Centro-Oeste
A primavera começa com chuva ainda mal distribuída e temperaturas elevadas no Centro-Oeste. O cenário é de atenção principalmente para Mato Grosso e Goiás, onde a regularização das precipitações deve demorar mais e os períodos de estiagem entre uma chuva e outra podem continuar afetando a umidade do solo.
Segundo a meteorologista Patrícia Cassoli, da Ampere, a tendência para a estação é de diferenças importantes dentro da própria região. Enquanto o sul de Mato Grosso do Sul deve apresentar uma melhora na frequência das chuvas, Goiás e Mato Grosso permanecem com maior irregularidade.
“Na primavera, a tendência é de uma chuva mais regular no sul de Mato Grosso do Sul, enquanto Goiás e Mato Grosso continuam com chuva mais irregular.”
A previsão indica que a precipitação deve ficar abaixo da climatologia durante a primavera, principalmente em Goiás, Mato Grosso e no centro e norte de Mato Grosso do Sul.
Chuva ainda irregular no início da estação
Nos próximos dias, a chuva deve continuar acontecendo de forma localizada no Centro-Oeste, mas sem capacidade de provocar uma recuperação significativa da umidade do solo.
Em Mato Grosso do Sul, podem ocorrer tempestades e até granizo em pontos isolados. Na quarta-feira, a chuva tende a se concentrar principalmente próxima à divisa com São Paulo, enquanto a partir de quinta-feira o tempo seco volta a predominar no estado.
Já em Mato Grosso, as áreas do sul e oeste podem registrar chuva mais forte e temporais isolados, mas a distribuição dos volumes continuará irregular.
“A chuva continua mal distribuída, sem grandes acumulados e ainda insuficiente para uma recuperação significativa da umidade do solo”, explica Patrícia.
Em Goiás, Mato Grosso e Distrito Federal, a regularização das chuvas deve ocorrer mais lentamente. Os chamados veranicos, eríodos de vários dias sem precipitação significativa, ainda podem fazer parte do cenário.
Outubro pode trazer melhora
A expectativa é de que a chuva comece a ganhar mais frequência a partir de outubro, especialmente para a agricultura. No entanto, isso não significa uma regularização imediata em toda a região.
Em Mato Grosso, Goiás e Distrito Federal, a precipitação tende a continuar irregular, enquanto no sul de Mato Grosso do Sul o cenário é de maior frequência de chuva.
A diferença é importante para o planejamento da safra, principalmente em áreas que dependem da regularização das precipitações para avançar com o plantio e garantir umidade suficiente no solo.
Calor continua sendo destaque
As temperaturas devem permanecer elevadas em grande parte do Brasil Central durante a primavera, com possibilidade de dias bastante quentes.
“As temperaturas também devem ficar elevadas em grande parte do Brasil Central, com ocorrência de dias bastante quentes.”
Mato Grosso e Goiás tendem a concentrar os maiores períodos de calor. Em Mato Grosso do Sul, as temperaturas podem ficar mais amenas temporariamente com a passagem de sistemas de chuva e massas de ar frio, mas o calor volta a ganhar força posteriormente.
Nos próximos dias, por exemplo, as manhãs e tardes ficam mais amenas em Mato Grosso do Sul, sem previsão de geada, antes de uma nova elevação das temperaturas no fim da semana.
El Niño e o comportamento da chuva
A atuação do El Niño muito forte também contribui para a configuração climática da primavera, mas seus efeitos no Centro-Oeste são diferentes daqueles observados no Sul.
Enquanto o fenômeno favorece maior frequência de frentes frias e chuva no Sul, no Brasil Central o cenário tende a ser de maior irregularidade das precipitações e temperaturas elevadas, especialmente em Goiás e Mato Grosso.
O comportamento da chuva, no entanto, não será igual em toda a região. O sul de Mato Grosso do Sul apresenta uma tendência de maior regularidade, enquanto Mato Grosso, Goiás e o centro e norte de Mato Grosso do Sul devem conviver com períodos mais prolongados sem chuva.
O que o produtor deve acompanhar
O principal desafio para o campo no Centro-Oeste será a regularização das chuvas. Mesmo com o aumento gradual da precipitação a partir de outubro, os volumes podem continuar mal distribuídos, mantendo os veranicos e dificultando a recuperação da umidade do solo.