Paraná vive sequência de temporais severos e já soma 13 tornados neste ano
O Simepar reclassificou como downburst o fenômeno que atingiu Francisco Beltrão, no sudoeste do Paraná, e chegou a levantar um carro durante o temporal da noite de segunda-feira (21). Inicialmente identificado como tornado, o episódio provocou estragos em diferentes pontos do município e reforça a sequência de eventos de tempo severo que atinge o estado. Em 2026, o Paraná já soma 13 tornados registrados.
O evento foi classificado como microburst, também conhecido como microexplosão atmosférica. O fenômeno ocorre quando uma forte corrente de ar desce rapidamente de uma tempestade e, ao chegar ao solo, se espalha em várias direções. As rajadas podem ser muito intensas e provocar danos em poucos segundos.
Em Francisco Beltrão, além do carro que acabou sobre outro veículo, o temporal provocou danos em estruturas, destelhamentos, queda de árvores e interrupções no fornecimento de energia. Segundo o Simepar, a análise de imagens de radar e satélite, além de fotos e vídeos dos locais atingidos, não identificou sinais compatíveis com tornado.
O caso chama atenção porque ocorre em meio a uma sequência de temporais severos e tornados registrados no Paraná ao longo de setembro.
O estado confirmou três tornados em apenas três dias, entre 9 e 11 de setembro, nos municípios de Francisco Alves, Espigão Alto do Iguaçu e Goioerê. Com o episódio de Goioerê, o Paraná chegou a 13 tornados registrados em 2026.
Paraná concentra ocorrências
O meteorologista e consultor climático Francisco de Assis explica que a posição do Paraná em relação à passagem das frentes frias ajuda a entender a frequência de tempestades severas e de fenômenos como tornados e microexplosões.
Segundo ele, a região paranaense fica frequentemente na área de maior contraste entre massas de ar durante a passagem da frente fria. Esse contraste aumenta a instabilidade e favorece a formação de tempestades mais intensas.
“No Paraná é a linha frontal, a frente fria, o maior contraste de temperatura, e aí dá aquela condição de instabilidade muito forte, tempestades de uma maneira relativamente forte, ventos, tempestades com formação de tornados”, explica Francisco de Assis.
O meteorologista também diferencia a dinâmica observada no Paraná daquela mais comum no Rio Grande do Sul durante a atuação de ciclones.
“No Rio Grande do Sul, pega muito a linha frontal devido à formação do ciclone. O ciclone fica uma coisa mais homogênea, os ventos da frente são fortes, mas não dá tanto vento forte assim como dá no Paraná, às vezes, e aí evita a formação de tornado”, afirma.
De acordo com Francisco, portanto, não é apenas a presença de uma frente fria que explica os fenômenos. A combinação entre o sistema frontal e o forte contraste de temperatura cria um ambiente mais favorável à formação de tempestades organizadas e ventos intensos no Paraná.
Tornado e downburst são fenômenos diferentes
Apesar de poderem provocar destruição semelhante, tornado e downburst têm mecanismos diferentes.
No tornado, os ventos apresentam movimento de rotação e convergem em direção ao centro do fenômeno. Já no downburst, o ar desce rapidamente da tempestade e, ao atingir o solo, se espalha para os lados.
Quando essa área de vento intenso é menor que quatro quilômetros, o fenômeno recebe o nome de microburst. Em áreas maiores, é chamado de macroburst.
A diferença é importante porque a avaliação dos danos ajuda os meteorologistas a determinar qual fenômeno ocorreu. Em Espigão Alto do Iguaçu, por exemplo, o episódio chegou a ser identificado inicialmente como tornado. Depois da análise detalhada dos estragos, porém, o evento foi reclassificado como downburst.
Na ocasião, os ventos atingiram propriedades, escolas e uma área de plantio de eucaliptos. O Simepar explicou que classificações preliminares podem ser revistas conforme novas evidências são coletadas em campo.
Setembro tem sequência de tempo severo no Sul
Os episódios no Paraná fazem parte de uma sequência mais ampla de tempo severo no Centro-Sul do Brasil. O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) aponta que setembro vem sendo marcado por chuvas intensas em curtos períodos, granizo, vendavais, microexplosões e tornados em diferentes estados, incluindo Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.