Qualidade do ar em Manaus varia de moderada a muito ruim, e calor pode chegar a 37°C

Publicado em 20/10/2026 11:08
Previsão indica chuva irregular, insuficiente para garantir alívio duradouro da poluição. El Niño muito forte também entra no conjunto de fatores que influenciam o cenário climático.

A qualidade do ar em Manaus (AM) continua preocupante na manhã desta terça-feira (20), com índices que variavam de moderados a muito ruins, dependendo da região da cidade. Por volta das 7h30, a concentração de partículas finas na capital era de 23,8 microgramas por metro cúbico (µg/m³), segundo a plataforma internacional IQAir. No município de Autazes, os registros do Sistema Eletrônico de Vigilância Ambiental (Selva), da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), apontavam concentrações de 40,5 a 42 µg/m³.

O cenário reflete os impactos das queimadas sobre a qualidade do ar na região amazônica, em um período marcado por temperaturas elevadas e chuvas irregulares. Embora mudanças nas condições atmosféricas possam favorecer uma melhora temporária, a redução persistente da fumaça depende de fatores como o controle dos incêndios e a ocorrência de precipitações mais abrangentes.

Segundo a meteorologista Andréa Ramos, a recorrência desses episódios em Manaus está relacionada à combinação entre queimadas, variabilidade climática e condições atmosféricas que interferem no transporte e na dispersão dos poluentes.

“Durante o período mais seco, a redução das chuvas, as temperaturas elevadas e a diminuição da umidade favorecem o ressecamento da vegetação e criam condições propícias à propagação dos incêndios”, explica.

A especialista ressalta que a fumaça não precisa ser produzida dentro da capital para comprometer a qualidade do ar. As partículas liberadas pelos incêndios podem ser transportadas pelos ventos e alcançar Manaus a partir de outras áreas do Amazonas e da própria região amazônica.

El Niño pode agravar condições favoráveis ao fogo

O El Niño muito forte também entra no conjunto de fatores que influenciam o cenário climático. O aquecimento anormal das águas do Pacífico Equatorial altera a circulação atmosférica e pode modificar o regime de chuvas na Amazônia, favorecendo períodos mais secos em determinadas áreas.

Andréa ressalta, porém, que o fenômeno não provoca diretamente as queimadas, mas pode contribuir para condições ambientais que facilitam a propagação do fogo.

Em outubro, a deterioração da qualidade do ar chamou a atenção pelos registros elevados de material particulado fino, conhecido como PM2,5, monitorados pela rede Selva. Apesar de episódios pontuais de melhora, possivelmente associados ao retorno das chuvas e a mudanças na atmosfera, a situação ainda exige acompanhamento.

As condições meteorológicas também ajudam a explicar as oscilações nos índices ao longo do dia. Durante a noite e nas primeiras horas da manhã, ventos fracos e menor mistura do ar podem favorecer o acúmulo de partículas próximo à superfície. Com o aquecimento durante o dia, a turbulência atmosférica tende a aumentar e contribui para a dispersão vertical dos poluentes.

Calor pode aumentar

Entre esta terça-feira (20) e domingo (25), a previsão meteorológica indica a manutenção do calor em Manaus, com temperaturas máximas geralmente entre 34°C e 37°C. A sensação térmica poderá se aproximar dos 40°C.

Há possibilidade de pancadas de chuva, principalmente entre quarta (21) e quinta-feira (22), mas a distribuição ainda deverá ser irregular. Com isso, a chuva pode proporcionar alívio temporário em alguns bairros, sem garantir uma melhora generalizada e duradoura da qualidade do ar.

“Essas precipitações poderão proporcionar alívio temporário em determinados bairros, sem garantir uma melhora generalizada e duradoura das condições do ar”, destaca a análise meteorológica.

Fonte: Notícias Agrícolas

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