Balanço hídrico aponta déficit de água em 94,8% do Brasil, apesar das chuvas recentes
O retorno das chuvas em diversas regiões do Brasil ainda não foi suficiente para reverter o déficit hídrico na maior parte do país. Levantamento da ferramenta de balanço hídrico da Ampere, apresentado pela meteorologista Amanda Balbino, mostra que 94,8% do território brasileiro permaneceu em condição de déficit de precipitação nos sete dias anteriores à análise. Apenas 5,2% registraram excedente hídrico, quando a disponibilidade de água supera a demanda.
O cenário evidencia que a ocorrência de chuva, por si só, não garante a recuperação da umidade do solo. O volume acumulado, a frequência das precipitações e as temperaturas influenciam diretamente a quantidade de água que permanece disponível para as lavouras.
“Não é porque está chovendo que o solo vai conseguir reter aquela água”, destacou a análise apresentada no programa. Em regiões onde as precipitações continuam irregulares e as temperaturas permanecem elevadas, a água acumulada pode ser perdida rapidamente, sem garantir uma recuperação consistente das condições do solo.
Sul registra excesso de água após temporais
O excesso hídrico ficou concentrado principalmente na Região Sul, que recebeu volumes expressivos de chuva durante o fim de semana. No Paraná, o município de Guarapuava registrou 126,5 milímetros no período de sete dias, o maior acumulado entre as cidades monitoradas pela ferramenta apresentada por Amanda.
Além do Paraná, áreas do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, sul de Mato Grosso do Sul e interior de São Paulo apresentam umidade do solo superior a 90%, conforme o mapa de condições do solo exibido na análise.
O volume elevado de chuva, por outro lado, pode dificultar o andamento das atividades no campo. No Paraná, a sequência de precipitações chegou a prejudicar o ritmo da semeadura da soja e a realização de tratos culturais.
A previsão de redução das chuvas no Sul nos próximos dias deve abrir uma janela para o produtor avançar com as operações agrícolas. A pausa, porém, não deve ser suficiente para provocar uma queda expressiva no armazenamento de água do solo nas áreas que receberam volumes elevados recentemente.
Norte e Matopiba ainda precisam de chuva
Enquanto o Sul apresenta áreas com excesso de água, o déficit hídrico continua predominando em partes do Norte, Nordeste e Centro-Oeste. Entre as localidades monitoradas pela Ampere, Santarém (PA) acumulava 61 dias sem chuva significativa, considerada na análise como precipitação superior a 5 milímetros.
A perspectiva de chuva para algumas dessas áreas ainda é limitada, mantendo elevado o risco de déficit hídrico. No Matopiba, região que abrange áreas do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia, as precipitações registradas até o momento também não garantem uma recuperação consistente da umidade do solo.
Segundo Amanda Balbino, a frequência e o volume de chuva serão determinantes para melhorar as condições hídricas nessas áreas. Mesmo quando a precipitação começa a retornar, intervalos prolongados sem chuva e temperaturas elevadas podem impedir que a umidade se mantenha por tempo suficiente.
Em partes de Minas Gerais, Goiás e Mato Grosso, a análise já aponta recuperação mais consistente da umidade do solo, favorecida pela ocorrência mais frequente de precipitações. Ainda assim, a distribuição irregular da chuva mantém diferenças importantes entre as localidades.