Temporais avançam pelo Centro-Sul e chuva pode superar 100 mm no Sudeste
A última semana de outubro deve terminar com chuva em várias regiões do Brasil, mas a distribuição dos volumes exige atenção dos produtores rurais. A partir desta quarta-feira (28), a formação de um cavado atmosférico deve intensificar as instabilidades sobre o Centro-Sul, aumentando o risco de temporais e de chuva volumosa em áreas agrícolas.
Segundo Denis Garcia, meteorologista da Meteored, o sistema favorece o encontro de ar quente e úmido, contribuindo para a formação de nuvens carregadas. “Nós teremos a atuação de um cavado atmosférico. Esse cavado é uma região alongada de uma baixa pressão. E, através disso, ele faz ali a convergência de umidade, ar quente e ar úmido para essa região”, explicou.
Com isso, a previsão aponta para pancadas intensas e risco de temporais em áreas de Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Goiás, Rondônia e São Paulo, além do Triângulo Mineiro. O cenário também exige atenção no Matopiba, especialmente no sul do Maranhão, interior do Piauí, oeste da Bahia e norte do Tocantins.
Sudeste deve concentrar os maiores volumes
O Sudeste aparece entre as regiões com maior potencial para acumulados expressivos de chuva até o fim do mês. De acordo com Garcia, áreas do norte de São Paulo, sul de Minas Gerais e sul do Rio de Janeiro podem registrar volumes superiores a 60 milímetros até sábado (31).
O destaque fica para o Triângulo Mineiro. Em pontos isolados próximos à divisa entre Minas Gerais e Rio de Janeiro, os acumulados podem chegar a 110 milímetros, conforme a previsão apresentada pelo meteorologista.
Em Goiás, as instabilidades também devem continuar, enquanto áreas de Mato Grosso do Sul e do interior paulista podem voltar a receber chuva mais significativa a partir desta quarta-feira. O avanço das pancadas pode provocar transtornos pontuais, principalmente onde os volumes se concentrarem em curtos períodos.
Chuva também chega ao Sul, mas com volumes menores
O cavado atmosférico também deve influenciar a Região Sul, principalmente entre quinta-feira (29) e sexta-feira (30). A previsão indica chuva no Paraná, em Santa Catarina e no norte do Rio Grande do Sul, com possibilidade de pancadas mais intensas em áreas de Santa Catarina e do sudoeste paranaense.
Apesar disso, os volumes previstos tendem a ficar abaixo dos registrados nas últimas semanas, quando algumas localidades receberam entre 150 e 200 milímetros. Na sexta-feira, a chuva deve ficar mais concentrada no leste de Santa Catarina, leste do Paraná e nordeste gaúcho, com tendência de maior estabilidade em outras áreas.
A distribuição das precipitações será importante para o planejamento das atividades no campo, especialmente em regiões que já enfrentaram volumes elevados recentemente e precisam aproveitar eventuais períodos de tempo firme para avançar com os trabalhos.
Frente fria perde força, mas a instabilidade continua
A frente fria que provocou chuva e queda nas temperaturas nos últimos dias deve perder intensidade a partir da tarde de quarta-feira. No entanto, isso não significa que a chuva vai parar em todo o país: outros sistemas atmosféricos devem manter as condições favoráveis à formação de instabilidades.
“Então, realmente, nos próximos dias, o que vai causar as chuvas é a presença de um cavado que vai causar instabilidades sobre o continente”, afirmou Garcia.
Enquanto o Centro-Sul volta a ter maior potencial para chuva, áreas do Nordeste ainda podem registrar precipitações associadas à umidade organizada pela frente fria, principalmente até meados desta quarta-feira. Depois, a tendência é de perda gradual de força desse sistema.