Vai plantar trigo safrinha? Pesquisa da Embrapa revela pontos decisivos para evitar perdas

Publicado em 11/03/2026 06:57 e atualizado em 11/03/2026 09:41
Com janela de plantio aberta no Brasil Central, pesquisadores da Embrapa destacam cuidados essenciais com solo, escolha de cultivares e manejo para reduzir riscos climáticos e garantir rendimento nas lavouras

O início de março marca a abertura da janela recomendada para o plantio do trigo safrinha no Cerrado do Brasil Central, sistema de produção que vem ganhando espaço entre produtores após a colheita da soja. A cultura é cultivada sem irrigação, aproveitando o final da estação chuvosa, e tem se destacado tanto pelos benefícios agronômicos quanto pela possibilidade de geração de renda em um período tradicionalmente ocioso das áreas agrícolas.

De acordo com pesquisadores da Embrapa, a expectativa é que a área destinada ao cereal na região fique entre 200 mil e 250 mil hectares, com crescimento estimado entre 5% e 10% em relação à safra anterior, podendo chegar a até 15% de expansão em estados como Goiás.

Segundo Jorge Chagas, pesquisador da Embrapa Trigo, o cultivo do cereal traz ganhos importantes para o sistema produtivo. “Além de proporcionar o controle de plantas daninhas, o cultivo do trigo fornece uma excelente palhada, favorecendo o plantio direto nas áreas”, destaca.

Outro fator que tem estimulado os produtores é a possibilidade de colher o cereal antes das principais regiões produtoras do país. Como o trigo do Cerrado é colhido entre junho e julho, período mais seco, o grão tende a apresentar qualidade elevada e menor risco de problemas sanitários.

“A colheita do trigo safrinha é realizada no período seco, o que tem garantido um produto de excelente qualidade de grãos e livre de micotoxinas comuns em anos chuvosos no Sul do país”, explica Júlio Albrecht, pesquisador da Embrapa Cerrados.

Recomendações da pesquisa para o plantio

Apesar do potencial da cultura, os pesquisadores alertam que o sucesso do trigo safrinha depende de decisões técnicas tomadas ainda no início da janela de plantio.

Entre os principais pontos destacados pela Embrapa estão:

➡️Altitude mínima de 800 metros, condição considerada mais adequada para o cultivo do trigo de sequeiro.
➡️Consulta ao Zoneamento Agrícola de Risco Climático (ZARC) antes da semeadura.
➡️Análise e correção do solo, com uso de calcário para reduzir acidez e gesso agrícola para neutralizar alumínio em profundidade.
➡️Eliminação de camadas compactadas no solo, permitindo maior desenvolvimento das raízes e melhor aproveitamento da água.

Outra estratégia recomendada é a adoção do plantio direto na palhada da cultura de verão, que ajuda a preservar a umidade do solo, reduzir a evaporação e aumentar a infiltração de água das chuvas, diminuindo os efeitos de veranicos comuns no período.

Momento da semeadura exige estratégia

A pesquisa também orienta que o plantio seja realizado entre o início e o final de março, com ajustes conforme o comportamento das chuvas na região.

Para reduzir riscos climáticos, uma das estratégias indicadas é o escalonamento da semeadura, ou seja, plantar em diferentes datas ou utilizar cultivares com ciclos distintos. Dessa forma, a lavoura não fica exposta ao mesmo risco climático em um único estágio crítico, como a floração.
No início da janela, a recomendação é priorizar cultivares mais tolerantes a doenças, especialmente manchas foliares e brusone. Já em plantios realizados após meados de março, o ideal é optar por materiais com maior tolerância à seca, já que o risco de veranicos aumenta.

Cultivar desenvolvida para o Cerrado

Entre as opções adaptadas ao sistema, a Embrapa destaca a cultivar BRS 404, desenvolvida para condições de menor disponibilidade hídrica no Cerrado. O material apresenta tolerância ao calor, ao déficit hídrico e ao alumínio no solo, além de bom potencial produtivo.
De acordo com os pesquisadores, em anos com precipitação dentro da normalidade, as lavouras de trigo safrinha no Brasil Central têm registrado produtividades entre 35 e 65 sacas por hectare, podendo chegar a até 80 sacas por hectare em regiões com maior volume de chuvas, como áreas do Sul de Minas Gerais.

Com o avanço de tecnologias e cultivares adaptadas, o trigo safrinha vem se consolidando como uma alternativa estratégica para a diversificação de sistemas agrícolas no Cerrado, contribuindo para maior estabilidade produtiva e econômica nas propriedades. 

Por: Priscila Alves
Fonte: Notícias Agrícolas

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