Trigo dispara na abertura e reacende alerta para preços e comercialização no Brasil
O mercado do trigo iniciou a sessão desta quinta-feira (16) com forte valorização na Chicago Board of Trade (CBOT), em um movimento mais expressivo de recuperação que chama a atenção do mercado e pode influenciar diretamente o ritmo de comercialização no Brasil.
Na abertura, o contrato maio/26 foi cotado a US$ 6,05/bu, com alta de 114 porntos. O Julho/26 operava a US$ 6,12/bu, registrando valorização de 104 pontos, enquanto maio/26 foi cotado a US$ 6,24/bu, com alta de 102 pontos nas primeiras nengociações do dia.
O avanço mais forte das cotações está ligado a um movimento de recomposição técnica após as quedas recentes, aliado a preocupações com as condições das lavouras de trigo nos Estados Unidos. Relatórios recentes indicam perda de qualidade em parte das áreas, o que reduz o conforto da oferta no curto prazo e dá suporte aos preços.
Além disso, o mercado também reage à atuação dos fundos, que voltam a comprar posições, intensificando o movimento de alta neste início de pregão. Esse tipo de movimentação costuma aumentar a volatilidade e acelerar os ganhos, como observado nesta sessão.
No Brasil, o cenário segue com fundamentos próprios que ajudam a sustentar os preços internos. De acordo com o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), o mercado doméstico continua apoiado na oferta restrita e na demanda ativa por parte dos moinhos, especialmente neste período de entressafra.
A necessidade de reposição de estoques, somada à postura mais cautelosa dos produtores nas vendas, mantém o mercado firme, mesmo diante das oscilações externas. Esse contexto faz com que momentos de alta em Chicago, como o observado nesta quinta-feira, ganhem ainda mais relevância para o produtor brasileiro.
A abertura de hoje reforça um cenário de oportunidade, mas também de atenção. A combinação entre valorização externa e sustentação interna pode abrir espaço para negociações mais favoráveis, desde que o produtor acompanhe de perto o comportamento do mercado e os desdobramentos das condições de safra no cenário global.