Trigo despenca em Chicago e amplia pressão sobre mercado global
O mercado internacional do trigo encerrou esta quarta-feira (3) com forte queda na Bolsa de Chicago (CBOT). Os contratos futuros foram pressionados pelo avanço das condições das lavouras nos Estados Unidos, pela perspectiva de maior oferta global e por movimentos técnicos de realização de lucros.
No fechamento, os principais vencimentos registraram:
Julho/26: US$ 5,87/bushel, com baixa de 156 pontos.
Setembro/26: US$ 6,00/bushel, com baixa de 154 pontos.
Dezembro/26: US$ 6,20/bushel, com baixa de 146 pontos.
O contrato julho/26 fechou a US$ 5,87 por bushel, após ter encerrado o dia anterior em US$ 6,03 por bushel. O movimento representa uma das quedas mais expressivas das últimas semanas e reforça a pressão observada recentemente sobre os preços internacionais do cereal.
Segundo analistas do mercado internacional, as perdas refletem a melhora das perspectivas produtivas nos Estados Unidos, onde as condições climáticas seguem favorecendo o desenvolvimento das lavouras de trigo de inverno. Além disso, operadores monitoram o avanço da colheita no Hemisfério Norte e a expectativa de maior disponibilidade global do cereal.
Apesar da queda em Chicago, o mercado brasileiro continua atento aos fundamentos internos. Os preços domésticos seguem sustentados pela oferta limitada da safra passada e pela comercialização ainda cautelosa por parte dos produtores, cenário destacado recentemente por pesquisadores do Cepea.
Argentina reduz imposto de exportação e pode influenciar mercado regional
Um dos principais fatos acompanhados pelo setor nesta quarta-feira foi a decisão do governo argentino de reduzir os direitos de exportação sobre trigo e cevada.
Por meio do Decreto nº 423/2026, o governo da Argentina oficializou um corte imediato de 2 pontos percentuais nas chamadas "retenciones" para as cadeias de trigo e cevada, medida que entra em vigor a partir desta quinta-feira (4).
Segundo o governo argentino, a redução busca aumentar a competitividade do setor, estimular investimentos e incentivar o plantio da safra 2026/27.
A medida é acompanhada com atenção pelo mercado brasileiro, já que a Argentina permanece como principal fornecedora de trigo ao Brasil.
Embora o impacto imediato sobre os preços ainda seja limitado, a expectativa é de que o incentivo possa favorecer uma maior área cultivada e ampliar a oferta argentina na próxima temporada.
No curto prazo, entretanto, os agentes de mercado continuam focados no desenvolvimento das lavouras no Hemisfério Norte e na evolução da oferta disponível nos países exportadores, fatores que seguem ditando o comportamento das cotações internacionais.