Trigo recua em Chicago após rali e realização de lucros

Publicado em 24/07/2026 10:37
Mercado devolve parte dos ganhos enquanto acompanha o Mar Negro e a colheita no Hemisfério Norte

Os contratos futuros do trigo iniciaram o pregão desta sexta-feira (24) em queda na Bolsa de Chicago (CBOT), devolvendo parte da forte valorização registrada na sessão anterior. O movimento é atribuído, principalmente, à realização de lucros por parte dos investidores após a alta superior a 4% observada na quarta-feira, impulsionada pelas tensões no Mar Negro.

No início desta manhã, o contrato setembro/26 era negociado a US$ 6,74 por bushel, com queda de 21,50 pontos. O dezembro/26 recuava 21,25 pontos, cotado a US$ 6,92 por bushel, enquanto o março/27 perdia 20,50 pontos, para US$ 7,08 por bushel.

Além da realização de lucros, o mercado passa a reavaliar os fundamentos que impulsionaram a alta dos últimos dias. Embora os ataques russos à infraestrutura portuária da região de Odessa tenham renovado as preocupações com as exportações de grãos pelo Mar Negro, até o momento não há confirmação de uma interrupção significativa dos embarques, reduzindo parte do prêmio de risco incorporado às cotações.

Os investidores também acompanham o avanço da colheita de inverno nos Estados Unidos e a evolução das lavouras de trigo de primavera. Apesar das preocupações recentes com o calor em importantes áreas produtoras, o mercado segue monitorando se as perdas de produtividade serão suficientes para alterar o quadro de oferta apresentado no último relatório do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA).

Outro fator que continua limitando movimentos mais consistentes de alta é a competitividade do trigo da região do Mar Negro. Mesmo com as tensões geopolíticas, Rússia segue com ampla oferta exportável, enquanto Ucrânia mantém seus embarques, ainda que sob maiores riscos operacionais. Além disso, a Argentina também caminha para uma safra com maior disponibilidade exportável, ampliando a concorrência no mercado internacional.

No cenário macroeconômico, o mercado também acompanha a escalada das tensões comerciais envolvendo os Estados Unidos e seus parceiros. Embora as novas tarifas anunciadas por Washington sobre produtos brasileiros aumentem a cautela entre os agentes, não há evidências de que a medida tenha influência direta sobre a queda observada nos contratos futuros de trigo nesta sexta-feira, movimento que segue ligado, principalmente, aos fundamentos do próprio mercado internacional e ao ajuste técnico após a forte alta dos últimos pregões.

Por: Priscila Alves I instagram: @priscilaalvetsv
Fonte: Notícias Agrícolas

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