Chuvas beneficiam parte do trigo do Paraná enquanto preocupam no Rio Grande do Sul
SÃO PAULO, 24 Jul (Reuters) - As chuvas acima da média registradas na última semana no Sul do Brasil, principal região produtora de trigo do país, beneficiaram de forma geral as lavouras do cereal em desenvolvimento no Paraná, enquanto trouxeram alguma preocupação para o Rio Grande do Sul, onde as precipitações foram mais volumosas.
A avaliação, dos órgãos oficiais Deral e Emater, nesta sexta-feira, foi realizada em momento em que os dois importantes Estados produtores de trigo do país ainda estão distantes da época da colheita, quando a umidade em excesso traria mais problemas para a produtividade e qualidade.
"Para o trigo, de maneira geral, diria que elas são positivas, porque estávamos precisando de chuvas em algumas regiões", afirmou o agrônomo Carlos Hugo Godinho, do Departamento de Economia Rural (Deral), à Reuters.
Ele lembrou que o norte do Estado vinha lidando com o tempo seco e calor, gerando preocupações com déficit hídrico antes das chuvas recentes.
"No sudoeste e oeste, onde havia mais chuvas, ali talvez tenham sido um pouco prejudiciais para manejo de doenças, mas nada que seja muito relevante. Se cessarem as chuvas, e voltar a ter um tempo seco, começa a ter normalidade."
No Rio Grande do Sul, "as chuvas e ventos trouxeram preocupação aos produtores devido aos possíveis danos à cultura", disse a Emater em relatório publicado nesta sexta-feira.
Rio Grande do Sul e Paraná deverão responder por uma safra de 2,57 milhões e 2,14 milhões de toneladas, respectivamente, em 2026, a maior parte do que se espera no Brasil, com colheita prevista em 6 milhões de toneladas, segundo a estatal Conab.
O país deverá ver um corte de quase um quarto na produção do cereal este ano, principalmente pela redução da área plantada, mas a Conab também trabalha com menores produtividades em um ano de El Niño, que costuma trazer desafios climáticos ao cereal.
O Estado gaúcho ainda está na fase final de plantio, enquanto a maior parte plantada está ainda em fases de germinação e desenvolvimento vegetativo.
Na região de Santa Rosa (RS), disse a Emater, a ocorrência de chuva beneficiou a aplicação de adubação nitrogenada em alguns cultivos, mas em outros produtores só realizarão os trabalhos nos próximos dias, quando as condições climáticas permitirem.
No Rio Grande do Sul, a maior parte do Estado recebeu chuvas superiores a 100 milímetros nesta semana, 70 mm acima da média histórica para o período, segundo dados meteorológicos da LSEG. O Paraná também teve chuvas acima do histórico, ainda que em volumes um pouco mais baixos, em torno de 70 milímetros no sul, enquanto os acumulados no norte variaram de 20 a 40 mm.
O Sul do Brasil deve enfrentar chuvas intensas na próxima semana, segundo a LSEG.
MILHO
O Paraná, segundo produtor nacional de milho, está no meio da colheita da segunda safra, a principal do Estado, que havia sido concluída até o início da semana em 29% das áreas, segundo o Deral. Esse índice se compara a 40% em meados de julho de 2025 e 67% na mesma época de 2024, segundo dados do Deral.
Questionado sobre o impacto das chuvas para o ritmo da colheita, o especialista do Deral Edmar Gervásio lembrou que a safra foi plantada, em média, um pouco mais tarde nesta temporada.
"Assim não podemos dizer que há um atraso relevante no sentido de colheita. Neste ciclo, devemos ter uma concentração de colheita em agosto, ainda dentro de uma janela que não afeta a safra de verão", acrescentou Gervásio.
Segundo ele, apesar de intensas nos últimos dias, as chuvas "ainda não têm potencial de trazer algum problema relevante" para o milho, já que o tempo deve ficar mais firme na próxima semana no Paraná.
(Por Roberto Samora; edição de Marta Nogueira)