Trigo dispara em Chicago e fecha com forte alta diante de redução da oferta global pelo USDA

Publicado em 12/08/2026 15:21
Mercado foi ainda na carona do milho, que também avançou na CBOT

O USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) trouxe, nesta quarta-feira (12), seu novo boletim mensal de oferta e demanda apontando uma leve redução na estimativa para a produção mundial de trigo na safra 2026/27, mas, ao mesmo tempo, elevou a projeção para os estoques finais globais. O cenário indica uma oferta mundial ainda relativamente confortável, apesar das perdas em importantes produtores e exportadores.

A produção global foi estimada em 819,30 milhões de toneladas, abaixo das 819,97 milhões de toneladas projetadas em julho. Ainda assim, os estoques finais mundiais foram revisados para 273,25 milhões de toneladas, contra 272,84 milhões no relatório anterior.

Entre os principais exportadores, o USDA reduziu a produção da União Europeia, de 136 milhões para 134,2 milhões de toneladas. A Rússia, por outro lado, aparece com produção estimada em 88,5 milhões de toneladas, enquanto a Ucrânia tem sua safra projetada em 24 milhões de toneladas, contra 25,4 milhões do boletim anterior.

As exportações mundiais de trigo foram reportadas em 212,71 milhões de toneladas, contra 213,05 milhões no reporte de julho. Para a Rússia, principal exportador mundial, as vendas externas foram reduzidas de 47,5 milhões para 46 milhões de toneladas. As exportações da Ucrânia também recuaram, de 14,5 milhões para 13,5 milhões de toneladas.

Nos Estados Unidos, o USDA reduziu novamente a produção de trigo para 2026/27, agora para 41,66 milhões de toneladas, contra 41,81 milhões no boletim de julho. Os estoques finais norte-americanos também foram reduzidos, de 19,66 para 19,51 milhões de toneladas. 

De um lado, cortes na produção dos Estados Unidos e da União Europeia e redução das exportações de importantes fornecedores, enquanto de outro há estoques globais ligeiramente maiores, que ajudam a amenizar as preocupações com a disponibilidade mundial do cereal.

Para o mercado, a atenção agora deve permanecer voltada principalmente ao comportamento das safras dos grandes exportadores e à evolução da demanda internacional, fatores que podem determinar se a menor produção projetada será suficiente para sustentar novas altas nos futuros de trigo em Chicago.

O calor intenso em importantes regiões produtoras da Europa já vem reduzindo o potencial produtivo das safras de trigo, e nos EUA há também pontos de atenção. Nesta terça, uma consultoria russa revisou para baixo as exportações de trigo do país para as mínimas desde a safra 2016/17.

DISPARADA DOS PREÇOS EM CHICAGO

Na Bolsa de Chicago, o efeito dos números para os futuros do cereal foi imediato e intenso. E assim, o mercado finalizou os negócios desta quarta-feira com mais de 3% de alta. As posições mais negociadas concluíram os negócios com ganhos de mais de 20 pontos, levando o setembro a US$ 6,54 e o março a US$ 6,86 por bushel. 

Além dos números do USDA, no caso do cereal, as cotações refletem também o cenário geopolítico muito agressivo, com escaladas fortes nos conflitos entre Rússia e Ucrânia. Há bombardeios atingindo em cheio estruturas portuárias e de armazenagem em ambos os países e o perigo na região do Mar Negro é crescente, comprometendo agressivamente o escoamento de grãos e óleos vegetais. 

"No curto e médio prazos, a menor oferta de grãos no Mar Negro, especialmente de milho e trigo, adiciona prêmio de risco e é altista para os cereais", traz a Agrinvest Commodities. 

Por: Carla Mendes | Instagram @jornalistacarlamendes
Fonte: Notícias Agrícolas

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