Brusone já reduz produção de trigo em MS e compromete produtividade em áreas de MG
A pressão de doenças sobre as lavouras brasileiras de trigo começou a se traduzir em impactos produtivos em algumas regiões. Segundo o monitoramento divulgado pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a alta incidência de brusone já provocou redução de produção nas principais regiões produtoras de Mato Grosso do Sul, enquanto áreas irrigadas do Noroeste de Minas Gerais tiveram parte da produtividade comprometida pela doença.
A colheita nacional da safra 2026 avançou para 8,1% da área até 28 de agosto, ante 6,7% uma semana antes. O ritmo permanece abaixo dos 9,1% registrados no mesmo período de 2025 e da média de 9,6% dos últimos cinco anos.
Grande parte da safra ainda atravessa estágios anteriores à colheita. De acordo com os dados de fenologia da Conab, 42,4% das lavouras estão em desenvolvimento vegetativo, 14,4% em floração, 17,4% em enchimento de grãos e 17,7% em maturação.
No Rio Grande do Sul, onde a maior parte das lavouras ainda está em desenvolvimento vegetativo e início do enchimento de grãos, a umidade elevada e a baixa radiação solar vêm limitando o crescimento das plantas. As condições também favorecem manchas foliares, doenças bacterianas e, nas áreas mais adiantadas, aumentam o risco de doenças de espiga.
Os efeitos das geadas ocorridas no estado sobre a produtividade ainda serão avaliados nas próximas semanas.
No Paraná, a elevada umidade também favoreceu a ocorrência de doenças fúngicas, embora períodos de tempo estável tenham permitido a realização do manejo fitossanitário e o início da colheita.
A brusone também foi constatada em São Paulo, onde a estiagem favoreceu os trabalhos de colheita no Sudoeste paulista.
Em Santa Catarina, por outro lado, a Conab classificou o desenvolvimento das lavouras como satisfatório e informou que as condições climáticas favoreceram o manejo fitossanitário. Na Bahia, as áreas apresentam bom desenvolvimento e estão entre enchimento de grãos e maturação.