Rebaixamento de nota de risco do Brasil pode resultar em alta no custo do dinheiro utilizado para financiar o agronegócio

Publicado em 12/01/2018 13:08
Efeitos do rebaixamento foram pequenos pois o mercado já vinha precificando a possibilidade de mudança da nota de risco do Brasil desde o final do ano passado

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Antônio da Luz - Economista - FARSUL

 

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O economista da Farsul, Antônio da Luz, conversou com o Notícias Agrícolas nesta sexta-feira (12) para comentar o rebaixamento da nota do Brasil de BB para BB- pela Standard & Poor's e seus possíveis riscos para o agronegócio brasileiro.

Ele destaca que todas as vezes nas quais houver um risco mais alto no país, este passa a ter uma perspectiva de juros mais elevados. Desta forma, mesmo com a queda da taxa Selic, o Brasil tende a continuar com o juro alto. "O produtor pode esperar um dinheiro mais caro no momento. O crédito fica mais caro", avalia Luz.

Na análise do economista, "o que se gasta de juros é mais do que se gasta com fertilizantes. O custo do dinheiro é uma parte cada vez mais relevante do custo de produção". Luz lembra, ainda, que o Brasil já havia o grau de investimento anteriormente e que a agência de classificação também alertara da perspectiva negativa do próximo relatório sobre o país.

Luz explica que o próprio governo brasileiro paga as agências de risco para realizarem análises no Brasil, "do mesmo jeito que uma empresa paga para fazer uma auditoria". Ao lado da Moody's, a Standard & Poor's está entre as agências mais importantes no cenário econômico.

A justificativa da agência, apontada em entrevista para a Reuters, é de que "será muito difícil a reforma da Previdência ser votada neste ano no Brasil, marcado por eleições presidenciais, bem como avançar com medidas fiscais mais dolorosas". A demora para reequilibrar as contas públicas e as incertezas que permeiam a corrida presidencial também entraram em jogo.

O economista reitera sua visão de que "se o Brasil não aprovar a Reforma da Previdência, não vai fechar as suas contas" e que está "praticamente impossível" fechar o ano sem déficit primário até 2019.

Por: Aleksander Horta e Izadora Pimenta
Fonte: Notícias Agrícolas

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