Crédito Agrícola: Cobertor do subsídio está curto, hora de perguntar novamente

Publicado em 15/03/2019 14:58 e atualizado em 18/03/2019 11:19
Entrevista com João Batista Olivi - Jornalista sobre o tema "Governo estuda subsidiar operações de hedge na bolsa"

 

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Entrevista com João Batista Olivi - Jornalista sobre o Governo estuda subsidiar operações de hedge na bolsa

 

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Nesta sexta-feira (15), os jornalistas João Batista Olivi e Aleksander Horta debateram a questão do fim do crédito agrícola subsidiado, uma tendência que vem sendo observada a partir das estratégias atuais do Governo.

O Valor Econômico divulgou, portanto, uma das propostas que estão surgindo para romper com esse modelo, que é o subsídio das operações de hedge.

As operações de hedge vem sendo discutidas pelo Notícias Agrícolas nos últimos anos e são vistas como uma questão fundamental para proteger a venda dos produtos agrícolas ao mesmo tempo em que torna o subsídio pouco necessário.

Confira o debate completo no vídeo acima.

Corte nas despesas do Orçamento da União deve ser anunciada na próxima sexta-feira (ESTADÃO)

Corte orçamentário escancara a realidade, escreve a jornalista  ADRIANA FERNANDEZ, em O Estado de S. Paulo

O início da tramitação da reforma da Previdência na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara, na próxima semana, coincidirá com a definição, pela equipe econômica, do corte nas despesas do Orçamento ? o primeiro do governo do presidente Jair Bolsonaro.

A coincidência mostra que os problemas da economia real continuam na mesa e não podem esperar pelas mudanças nas regras da aposentadoria, cuja votação deve ir muito além do primeiro semestre deste ano.

A necessidade de um corte ?considerável? nas despesas do Orçamento da União deve ser anunciada na próxima sexta-feira e refletir os efeitos da falta de solução para dois problemas que o governo Bolsonaro prometeu acelerar: a recuperação do crescimento e as privatizações.

Apesar da confiança dos agentes de mercado na política do ministro da Economia, Paulo Guedes, o crescimento continua em marcha lenta. 

O impacto nas contas do governo é imediato: a arrecadação de impostos está vindo abaixo do que foi projetada, o que exige compensações no lado das despesas, justamente onde não há muito espaço. Só se veem pressões para expandir os gastos vindo dos novos ministros que querem ? com razão ? mostrar serviço, entre eles Sérgio Moro, e também de parlamentares aliados que cobram a liberação de emendas para apoiar a reforma da Previdência.

Numa segunda frente, o problema de falta de receitas no Orçamento está concentrado em uma das principais bandeiras de Guedes: privatizações. É verdade que esse plano ficou em segundo plano para não atrapalhar a reforma da Previdência. Mas a política de venda de ativos do ministro, recebida com euforia pelos investidores, acabou esbarrando em interesses diversos, inclusive em resistências do próprio presidente e dos militares que o assessoram.

Como resultado dessas contradições internas, o processo de privatização da Eletrobrás, que teve início no governo Temer, ficará, no melhor dos cenários, para o início de 2020, como já previu o próprio presidente da empresa, Wilson Ferreira Junior.

O megaleilão de barris excedentes da área da cessão onerosa do pré-sal, promessa para alavancar as receitas neste ano, também pode não acontecer em 2019. A licitação está marcada para outubro, mas há um longo e complexo caminho até lá.

As maiores perdas apontadas na primeira revisão do Orçamento vêm, portanto, da perda da previsão de receitas com o adiamento da privatização da Eletrobrás, e da queda da frustração da arrecadação de tributos, como a contribuição previdenciária.

A solução é correr com as concessões para aumentar receitas. O bem-sucedido leilão de aeroportos foi um bom sinal, mas isso não resolve o problema do corte orçamentário.

Com o risco de o corte ser maior do que esperava, o ministro Guedes saiu a campo, durante palestra no Rio de Janeiro, para reforçar o empenho em torno das privatizações e do leilão da cessão onerosa.

Não foi à toa. De alguma forma, ele já viu que precisa preparar o terreno para o anúncio do corte, mesmo que consiga, até lá, reduzir o seu tamanho, calculado hoje em pouco mais de R$ 10 bilhões.

Com a promessa de zerar o déficit em 2019, o que já sabe que não será possível, o ministro não pode deixar o bom humor com o futuro do Brasil ir embora no rastro do processo de desaceleração que bateu à porta da economia mundial.

A reforma da Previdência é prioridade, e o cenário indica que ela será aprovada, ainda que com alguma desidratação. A equipe econômica tem de tocar sua agenda independentemente dela. É preciso que o governo faça uma ponte com os problemas mais urgentes que travam a economia real e que não estão necessariamente conectados à reforma.

O corte indigesto do Orçamento mostra aos novos comandantes do governo que não é nada trivial a solução para o déficit público, como também não será fácil manter o discurso de que a reforma alcança a todos da mesma forma. O impasse em torno da inclusão de aumento salarial e de uma transição mais suave para os militares no projeto de reforma das Forças Armadas está aí para mostrar.

(por  ADRIANA FERNANDEZ, em O Estado de S. Paulo).

Com receita menor, governo deve bloquear mais de R$ 10 bi do Orçamento

Queda na arrecadação em janeiro e impossibilidade de contar com os recursos da privatização da Eletrobrás este ano acenderam sinal de alerta em relação ao cumprimento da meta fiscal, que prevê a possibilidade de um rombo de até R$ 139 bi (Renata Agostini, O Estado de S.Paulo)

BRASÍLIA - A equipe econômica se prepara para anunciar na próxima semana um bloqueio de recursos no orçamento que afetará diversas áreas do governo. A cifra final a ser apresentada ainda está em avaliação, mas a tendência é que o contingenciamento fique acima de R$ 10 bilhões, segundo duas fontes a par das conversas.

Os principais integrantes do Ministério da Economia já foram avisados de que o bloqueio será expressivo. O assunto está sendo tratado com o Palácio do Planalto, e a decisão final será tomada na semana que vem.

Orçamento aprovado prevê despesas totais de R$ 3,38 trilhões. Foto: Estadão

O bloqueio virá num ambiente já de forte contenção de gastos. O Orçamento aprovado prevê despesas totais de R$ 3,38 trilhões, mas somente R$ 155,8 bilhões restaram reservados para os investimentos públicos. Considerando que, dentro desse montante há quase R$ 120 bilhões correspondentes a estatais, o restante da administração pública ficou com somente R$ 36,2 bilhões para investimentos, o valor mais baixo definido em Orçamento desde 2004.

O contingenciamento de recursos é um expediente usado por governos para garantir o cumprimento da meta fiscal. Quando se identifica risco de estouro dessa meta, parte dos gastos previstos é congelada. O Orçamento aprovado para este ano prevê a possibilidade de um rombo de até R$ 139 bilhões.

O ministro da Economia, Paulo Guedes, prometeu, durante a campanha de Jair Bolsonaro à presidência, que zeraria esse déficit em 2019, e ainda não recuou publicamente desse compromisso. Para alcançar a meta, ele conta com receitas extraordinárias, como a arrecadação do megaleilão do pré-sal, além de concessões federais.

Cientes da dificuldade de entregar até mesmo o buraco previsto no orçamento diante do ritmo lento da economia, integrantes da equipe econômica já antecipavam nos bastidores que seria necessário anunciar algum contingenciamento logo no início do ano.

Extra

Contra o governo, há uma frustração do lado das receitas. O recuo de 0,66% registrado na arrecadação em janeiro, seguindo tendência dos últimos meses de 2018, reforçou para a equipe econômica que o desafio na área fiscal será grande. Além disso, o governo não poderá contar com a receita da privatização da Eletrobrás. O processo renderia, no final, R$ 12,2 bilhões à União mas, como a privatização ficou para 2020, esses recursos serão cortados.

A favor do governo, há a perspectiva de receitas extraordinárias, como o bem-sucedido leilão de aeroportos realizado na sexta-feira, 15, no qual o governo arrecadou quase R$ 2,4 bilhões, valor bem acima do mínimo fixado. Não havia no orçamento uma previsão de receitas com concessão de aeroportos, o que dá à equipe econômica uma folga e pode fazer com que o contingenciamento não fique tão acima de R$ 10 bilhões. Marcado para outubro, o megaleilão de petróleo do pré-sal ? que ainda depende de acordo entre o governo e a Petrobrás ? também não está no Orçamento.

Após ajustes, campanha Lula Livre é relançada e prepara pressão ao STF (na FOLHA)

A campanha ?Lula Livre?, pela liberdade do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), começou uma nova fase neste sábado (16). No sindicato dos metroviários, em São Paulo, o ?Encontro Nacional Lula Livre? relançou a campanha e reuniu, segundo a organização, cerca de 1.500 participantes. 

Até então, o Comitê Nacional Lula Livre reunia líderes de partidos e de movimentos de esquerda numa grande assembleia, mas sem capacidade organizativa e com ações pontuais. A ideia é que o relançamento torne a campanha mais ampla e plural.

Segundo o petista Fernando Haddad, derrotado por Jair Bolsonaro (PSL) nas últimas eleições, o comitê está repensando a estratégia de comunicação ?uma vez que nós estamos muito seguros que a Lava Jato não conseguiu demonstrar no que o presidente Lula contrariou o interesse do país?.

 

?Nós queremos lembrar a sociedade brasileira de que uma injustiça foi cometida e que nós vamos continuar na luta por justiça?, disse no evento.

Guilherme Boulos (PSOL), que também esteve no evento com Haddad e Manuela Dávila (PCdoB), disse que atos nas ruas e um ?trabalho de diálogo e de convencimento da população? são importantes para fortalecer o movimento.

?Nesse momento onde as contradições da Lava Jato começam a vir à tona de outras maneiras, é importante reforçar que o Lula é um preso político e de fazer a luta pela sua libertação?, disse o candidato do PSOL à Presidência na última disputa. 

Enquanto as mesas discutiram as novas diretrizes do movimento e abriam o microfone para recolher ideias dos participantes para a campanha, na frente do sindicato dos metroviários, cartazes, broches e camisetas com o slogan da campanha eram vendidos.

Em contraste com os materiais da campanha que levam um tom mais sóbrio, a nova arte da campanha, exibida nas paredes do ginásio, apresenta tons coloridos.

Os participantes sugeriram ações capilarizadas e citaram a vigília que tem sido feita em Curitiba desde que o ex-presidente foi preso como parte importante do movimento?a carta enviada neste sábado (16) por Lula ao comitê também agradece aos militantes que se reúnem diariamente na frente da sede da PF.

A primeira iniciativa após a reunião será a Jornada Lula Livre, de 7 a 10 de abril. Para marcar um ano da prisão do petista e também o julgamento de ações no STF (Supremo Tribunal Federal) sobre prisão em segunda instância, a campanha prevê atos, seminários e shows pelo país.

Como mostrou reportagem da Folha, o relançamento da campanha ocorre na esteira da frustração com a não participação de Lula nas eleições e com a derrota do PT nas urnas, o que, considerando a visão da esquerda de que o petista é um preso político, poderia ter sido suficiente para sua soltura.

Ao contrário, as eleições consolidaram no poder a direita antipetista representada por Jair Bolsonaro, que tem como ministro o algoz de Lula, o ex-juiz Sergio Moro.

A partir da reunião deste sábado (16), a ideia é criar comitês pelo país para espalhar a narrativa de que democracia e direitos estão em risco e, assim, criar um novo ambiente político que pressione pela revisão da prisão pelo Judiciário.

PRISÃO DE LULA

Lula está preso em Curitiba desde 7 de abril de 2018 após condenação em segunda instância a 12 anos e um mês de prisão por lavagem de dinheiro e corrupção passiva, no caso do tríplex de Guarujá (SP), da Operação Lava Jato.

Em fevereiro, Lula foi condenado novamente a 12 anos e 11 meses de prisão por corrupção e lavagem de dinheiro em outra ação, a do sítio em Atibaia (SP). Caso a soma das duas penas de Lula seja mantida em 25 anos, ele, que tem 73 anos, poderia ir para o semiaberto após, no mínimo, quatro anos de prisão. 

O petista recorreu ao STJ (Superior Tribunal de Justiça). Também tem dois habeas corpus pendentes no STF, mas não há prazo para esses três julgamentos. Em 10 de abril, serão julgadas as ações que discutem a prisão em segunda instância e podem beneficiá-lo. 

Após as eleições, foram criados uma comissão executiva de 29 membros e um secretariado de sete pessoas para colocar de pé as iniciativas. No grupo, que se reúne ao menos mensalmente, estão integrantes do MST, MTST, CUT, UNE, Frente Brasil Popular e Frente Povo Sem Medo, além de dirigentes do PT, PSOL, PC do B e PCO.

 

 

 

Por: João Batista Olivi e Aleksander Horta
Fonte: Notícias Agrícolas