"Importar mais é o que exporta", diz Marcos Troyjo. "O Brasil vai abrir para vender mais"

Publicado em 06/10/2019 07:28 e atualizado em 08/10/2019 03:47
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Entrevista exclusiva com o secretário de comércio exterior do Ministério da Economia, Marcos Troyjo; Abaixo, acompanhe a palestra de Marcos Troyjo no LIDE de Agronegócios:
Marcos Prado Troyjo - Sec. Especial de Comércio Exterior do Ministério da Economia

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O governo Bolsonaro começa a inverter a lógica no comércio exterior que praticamente sempre imperou no Brasil, a de "exportar mais, e importar menos". Marcos Troyjo, secretário de comercio exterior do Ministério da Economia, diz, em entrevista exclusiva ao Notícias Agrícolas, que, cada vez mais o Brasil vai se abrir para o comércio exterior "comprando mais para vender mais".

O foco não será nem a União Européia nem mesmo os Estados Unidos ("obviamente mercados importantes"). " Os nossos novos negócios serão com os paises do Sudeste Asiático e com a Índia, "os novos ricos". (Acompanhem a entrevista).

Os planos de Marcos Troyjo (considerado como um vice-ministro da Economia do Brasil, responsável pelo Comércio Exterior e Assuntos Internacionais), vão, inicialmente, provocar muitas reações em várias cadeias produtivas. A Agricutura, por exemplo, deverá sofrer fortes impactos. O café será estimulado a abrir importações para novas variedades, por exemplo, para conseguir vender mais qualidade (novos blends). No leite, o País se abrirá para importações mas deverá vender mais lacteos, com maior valor agregado.

"Nenhum País comprará mais se não conseguir fazer dinheiro vendendo, é a lógica", explica o secretário. O Brasil é um dos países mais fechados para o comércio exterior. Vamos inverter a estratégia e fazer mais negócios. "Acordos bilaterais são importantes, mas o que nos interessa são os mercados mais ricos que precisam de nossos produtos, como o Sudeste Asiático e a Índia, Indonésia, Singapura"

Marcos Troyjo evita discorrer sobre problemas surgidos (pelas questões ambientais) com a União Européia. "Estamos na fase dos ajustes", diz ele, negando que haja atrasos. Sobre acordo bilateral com os Estados Unidos, diz que é fundamental por ser o país mais rico do Mundo. "Mas vamos vender muito mais para quem precisa de nossos produtos, como é o caso do Sudeste Asiático, Coreia e Vietnâ, além da Índia.

Em palestra ao Lide Agro (entidade que congrega a maior parte do PIB do agronegocio brasileiro, reunido sexta-feira em Ribeirão Preto) o secretário de comercio exterior fez, no entanto, importante ressalva:

--"Antes de mais nada precisamos fazer um importante acordo interno com a nossa sociedade. Antes de tudo precisamos realizar as reformas fundamentais de nossa economia. Senão...".

Há poucos dias a Ministra da Agricutura, Teresa Cristina, trouxe novos negócios do Oriente Médio, principalmente com a Arábia Saudita, para quem deveremos vender mais carne de frango congelado. O ministro da Infraestrutura, Tarsicio Freitas, está há 10 dias nos Estados Unidos e Europa buscando investidores para participarem de obras no Brasil.

Abaixo, veja na íntegra a palestra de Marcos Troyjo no LIDE de Agronegócios:

Brasil tem espaço para diversificar exportações para Oriente Médio, diz ministra Teresa Cristina

Em balanço sobre a viagem a quatro países árabes, Tereza Cristina ressaltou que Brasil precisa ampliar vendas de produtos de valor agregado, e não só commodities

A ministra Tereza Cristina (Agricultura, Pecuária e Abastecimento) disse que a missão realizada pelo Brasil ao Oriente Médio mostrou que nosso País  precisa diversificar a pauta exportadora.

Nos quatro países árabes que visitou – Egito, Arábia Saudita, Kuwait e Emirados Árabes Unidos, há mercado para o Brasil vender produtos com valor agregado. Tereza Cristina citou, como exemplo, o Kuwait onde a população consome produtos mais caros, por ter uma renda per capita média de US$ 40 mil.

De acordo com a ministra, 70% da carne de ave consumida nesses países são provenientes do Brasil. Agora, os produtores nacionais precisam levar itens diferenciados para a mesa dos árabes, como cortes especiais de carnes. “O Brasil vai ter que começar a pensar a exportar não só commodities, mas agregar valor”, disse a ministra.

“Temos que acompanhar as tendências que o mundo quer, o que os consumidores querem”, acrescentou.

Durante a viagem ao Oriente Médio, entre os dias 11 e 23 de setembro, os governos do Egito anunciaram a importação de lácteos brasileiros; da Arábia Saudita, de castanhas, derivados de ovos e a ampliação do acesso a frutas e do Kuwait, de mel.

Segundo a ministra, os países demonstraram interesse em investir no agro brasileiro e em obras de logística, como rodovias e ferrovias. Outro pedido foi a realização de parcerias com a Embrapa para intercâmbio de experiências tecnológicas. Uma delas prevê o envio de 10 mil cabras para o Egito, medida que pode beneficiar o Nordeste brasileiro, onde há um centro avançado de pesquisas sobre caprinos e ovinos, localizado em Sobral (CE).

 Tereza Cristina voltou a criticar o protecionismo adotado pelos países ricos, como a imposição de altas tarifas e barreiras sanitárias e comerciais. “São ferramentas usadas pelos os países, que estão acostumados a ter esse mercados, e ficam incomodados com o protagonismo, principalmente do Brasil, na agropecuária. Essa é a crítica para que se melhore esse ambiente, pois o mundo precisa de muitos alimentos”.

Coreia do Sul é fonte de inspiração para o Brasil, diz chanceler Ernesto Araújo

“A Coreia do Sul é fonte de inspiração permanente para o Brasil”, disse o chanceler brasileiro Ernesto Araújo, ao participar da celebração da passagem dos 60 anos de relações diplomáticas entre os dois países. Ele afirmou que a inspiração brasileira se deve sobretudo ao brilhante desempenho coreano em dois quesitos: inovação tecnológica e educação.

De acordo com Araújo, este mês as duas nações realizam mais uma rodada de negociações visando a conclusão de um Acordo de Livre Comércio entre o Mercosul e aquele país asiático. Segundo ele, a percepção do mercado de que o acordo é iminente já está trazendo resultados concretos para o Brasil, por meio da sinalização de empresas coreanas de que haverá aumento de investimentos no Brasil.

O embaixador coreano no Brasil, Chan-Woo Kim disse acreditar que o acordo Mercosul-Coreia deverá ser fechado em meados de 2020. O vice-ministro de Assuntos Econômicos da Coreia do Sul, Yun Kang-hyeon lembrou que a República da Coreia é o país líder em tecnologias avançadas como semicondutores e TI (tecnologia da informação). Ele observou também que a Coreia foi o primeiro país a lançar o serviço comercial de 5G no mundo.

O  Vice-ministro de Assuntos Econômicos do Ministério das Relações Exteriores da Coreia, Yun Kang Hyeon,  durante debate sobre os 60 anos de relações diplomáticas entre Brasil e Coreia do Sul.
O Vice-ministro de Assuntos Econômicos do Ministério das Relações Exteriores da Coreia, Yun Kang Hyeon, durante debate sobre os 60 anos de relações diplomáticas entre Brasil e Coreia do Sul. José Cruz/Agência Brasil

“Considerando que o Brasil é detentor de competitiva vantagem tecnológica na agricultura, na indústria da aviação e na ciência espacial, acredito que nossos dois países poderão lograr uma cooperação de mútuo benefício”, disse.

Para ele, essa cooperação levará os dois países a se prepararem para a próxima etapa tecnológica, também conhecida como a quarta revolução industrial.  “Nesse sentido, temos uma boa oportunidade para se dar um poderoso impulso e promover, entre os dois países, uma relação orientada para o futuro”.

O ministro das Relações Exteriores, Ernesto de Araújo, e o Vice-ministro de Assuntos Econômicos do Ministério das Relações Exteriores da Coreia, Yun Kang Hyeon, durante debate sobre os 60 anos de relações diplomáticas entre Brasil e Coreia do
O ministro, Ernesto de Araújo, e o Vice-ministro de Assuntos Econômicos do Ministério das Relações Exteriores da Coreia, Yun Kang Hyeon - José Cruz/Agência Brasil

Por seu desempenho tecnológico e por sua poderosa indústria, a República da Coreia ocupa hoje a quinta posição no ranking das importações brasileiras. De janeiro a julho deste ano, o Brasil importou US$ 2,86 bilhões do país asiático. Já as exportações atingiram US$ 1,73 bilhões. Com isso, o comércio bilateral apresenta um déficit de US$ 1,12 bilhão para o Brasil. Já no ranking das exportações, a Coreia do Sul ocupa a 16ª posição.

Mercosul

Ao falar sobre os recentes acordos assinados pelo Mercosul com a União Europeia e com o EFTA (bloco de países compostos por Islândia, Liechtenstein, Noruega e Suíça), o chanceler Ernesto Araújo disse que o Brasil está muito empenhado em “reconstruir sua presença no mundo”.

Segundo ele, a presença brasileira no mundo foi abalada por um longo período de estagnação. “Não foi simplesmente estagnação econômica, foi também de ideias e de autoconfiança”, disse. Para ele, o Brasil já venceu essa inércia e essa timidez. “A Coreia deve ser um parceiro fundamental para comércio e investimentos nessa nova reinserção internacional”, disse o ministro Ernesto Araújo.

Com reformulação da Camex, governo quer agilizar dia a dia do comércio exterior (ESTADÃO)

Bolsonaro será o presidente do conselho responsável pela política de comércio exterior e por questões estratégicas; na prática, porém, as mudanças fortalecem o Ministério da Economia, que terá cinco de dez votos

BRASÍLIA - O governo reformulou a Câmara de Comércio Exterior (Camex) para priorizar a política comercial e desburocratizar as decisões do “dia a dia” do comércio exterior, segundo fontes ouvidas pelo Estadão/Broadcast.

Uma das mudanças é dar um “peso simbólico” para o tema do comércio exterior ao trazer o presidente da República para a Camex. Jair Bolsonaro será o presidente do Conselho de Estratégia Comercial, responsável pela política de comércio exterior e por questões estratégicas, como as diretrizes para o setor, a abertura de negociações comerciais e o financiamento às exportações.

Pela primeira vez, o comitê mais importante da Camex terá como integrante o ministro da Defesa. Além dele, estarão os chefes da Casa CivilEconomiaRelações Exteriores e Agricultura. (leia + no ESTADÃO).

 

Fonte: Notícias Agrícolas/AgênciaBrasil

1 comentário

  • Eduardo Lima Porto Porto Alegre - RS

    Brilhante exposição do Marcos Troyjo. Para exportar é preciso estar aberto para as importações e isso implica em expor à competição os setores inviáveis, principalmente do Agro e de alguns segmentos da industria local. Temos de acabar com as ilhas de favorecimento a setores que não possuem condições de continuidade. Há anos que a sociedade sustenta - equivocadamente, através de subsídios e incentivos distorcivos - segmentos que literalmente não fazem falta do ponto de vista econômico. Tomara que inteligências do porte do Marcos Troyjo não sejam sabotadas por entidades que representam a "Vanguarda do Atraso", e que sempre colocaram suas pautas a frente do desenvolvimento e da abertura comercial. Parabéns ao João Batista Olivi por essa excelente entrevista. A palestra é tão lúcida que merece ser guardada e replicada aos 4 ventos para que dissipe as nuvens de mediocridade que se incrustaram sob nossas cabeças!

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    • Gilberto Rossetto Brianorte - MT

      O Brasil precisa vender para quem tem fome. A Europa está saciada, só compra quando consegue empurrar alguma coisa em troca, exige demais e no final paga umas merrecas a mais. Acho que não vale a pena o esforço que o Brasil tem feito..., basta ver a questão ambiental, os agricultores brasileiros fizeram nos ultimos 30 anos o possível e o impossível, mas os europeus estão insatisfeitos com nosso trabalho e, na primeira oportunidade, impõem barreiras sanitárias ou ambientais. Muitas vezes desfazem nosso produto, mas compram, industrializam e vendem depois para os demais paises, a exemplo do café, cacau. Então acho que vale mais a pena se esforçar em vender prá India, China e paises árabes.

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