Banco Central prevê euforia no comércio em 3 meses, com vacinação de toda população adulta no Brasil

Publicado em 08/06/2021 15:32 e atualizado em 08/06/2021 16:39
Tempo & Dinheiro - Com João Batista Olivi

 

Macron leva tapa no rosto durante encontro com público no sul da França

Por Sudip Kar-Gupta e Michel Rose

PARIS (Reuters) - Um homem deu um tapa no rosto do presidente da França, Emmanuel Macron, nesta terça-feira durante um encontro com o público no sul da França, um incidente que o primeiro-ministro francês denunciou como uma afronta à democracia.

Em um vídeo que circula nas redes sociais, Macron estendeu a mão para cumprimentar um homem em um grupo pequeno de observadores atrás de uma barreira de metal por ocasião de uma visita a uma faculdade de treinamento profissional para o setor de hospitalidade.

Foi quando o homem vestido de camiseta cáqui gritou "Abaixo a Macronia" e deu um tapa no lado esquerdo do rosto do presidente.

Também se ouve o agressor gritando "Montjoie Saint Denis", o grito de guerra do Exército francês quando o país ainda era uma monarquia.

Dois seguranças de Macron avançaram sobre o homem de camiseta e outro afastou o presidente.

Macron ainda ficou perto do público por um período curto, gesticulando a alguém do outro lado da barreira, e depois seus agentes de seguranças o levaram para longe.

Duas pessoas foram presas, disse uma fonte da polícia à Reuters. A identidade do homem que estapeou Macron, e seus motivos, não ficaram claros.

O premiê, Jean Castex, repudiou o incidente.

"A democracia nunca pode dizer respeito à violência, à agressão verbal, e ainda menos à agressão física. Peço um despertar republicano, isto envolve todos nós, os fundamentos da democracia estão em jogo", disse ele ao Parlamento.

(Por Dominique Vidalon, Michel Rose e Sudip Kar-Gupta)

Copom avaliará impacto sobre inflação de "euforia" esperada com serviços, diz Campos Neto

Por Isabel Versiani

BRASÍLIA (Reuters) - O Brasil deve passar por um estágio de "euforia" no consumo de serviços no segundo semestre com a reabertura da economia, a exemplo do que já tem ocorrido em países como os Estados Unidos, onde a vacinação está mais avançada, disse nesta terça-feira o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto.

Em evento virtual do banco JPMorgan, Campos Neto destacou que a perspectiva para a inflação do setor de serviços será uma das principais questões que o Comitê de Política Monetária (Copom) vai avaliar em sua próxima reunião nos dias 15 e 16 deste mês.

Ele notou que hoje, nos EUA, os consumidores estão com dificuldade para alugar carros e conseguir vagas em hotéis, por exemplo, em meio ao aumento da demanda.

"Isso te diz que há esse estágio da euforia em que as pessoas querem fazer isso, então acho que isso vai acontecer no Brasil também, e isso nos dá uma melhor perspectiva para o segundo semestre", disse Campos Neto, em inglês, depois de mais cedo ter chamado atenção para o aumento do ritmo de vacinação no país e o impacto sobre a reabertura da economia.

O presidente do BC frisou que "muitas coisas aconteceram", e terão que ser analisadas, no cenário econômico desde a última reunião do colegiado no início de maio --quando o Copom elevou os juros a 3,50% e reiterou que estava promovendo uma "normalização parcial" da política monetária.

"Estamos tentando ver quais são as revisões para 2022, o que está contaminando de 2021, o que é relacionado a choques permanentes, o que é relacionado a choques temporários, e estamos basicamente olhando para o quão importante essa inflação de serviços será nesse processo de reabertura", afirmou.

Alguns fatores por trás dos choques que têm alimentado a inflação no país no período recente têm se estabilizado nas últimas semanas, disse Campos Neto.

"O câmbio tem performado melhor, as commodities estão de lado, mas você tem a questão da energia que começa a impactar", afirmou, acrescentando que o BC terá de fazer uma análise do efeito líquido desses fatores.

"Achamos que muito dessas questões temporárias estão decrescendo em importância, mas a disseminação está maior do que antecipávamos, e temos refletido isso na nossa comunicação", disse o presidente do BC.

"Tenham certeza que vamos olhar os dados, vamos tentar dar a vocês todos os instrumentos para analisar a forma como pensamos e estamos 100% comprometidos com a meta de inflação."

Apuração no Peru ruma para final tenso com vantagem estreita de Castillo sobre Fujimori

Por Marco Aquino e Marcelo Rochabrun

LIMA (Reuters) - A contagem de votos da eleição presidencial do Peru se aproximava do fim nesta terça-feira, mas uma diferença estreita entre dois candidatos polarizados, votos questionados e acusações de fraude podem exigir muito mais tempo para a confirmação do vencedor.

O socialista Pedro Castillo, que abala mercados e mineradoras com seus planos de reformular a política do país rico em cobre, mantinha uma vantagem mínima de cerca, com cerca de 50,2% dos votos diante dos 49,8% da rival de direita Keiko Fujimori com quase 96% das urnas apuradas.

O candidato de esquerda, filho de camponeses, cresceu só no final da contagem, impulsionado por uma votação rural energizada à margem da capital Lima. Mas Fujimori, descendente de uma família política poderosa, começou a diminuir a defasagem nesta terça-feira, quando chegaram votos do exterior que a favorecem.

A diferença de cerca de 80 mil votos e as tensões em ebulição, que levam Fujimori a alegar fraude e apoiadores de Castillo a realizar marchas dispersas depois que ele os conclamou a "defender o voto", apontam para a probabilidade de contestação qualquer que seja o resultado final.

"O Peru precisa que seus filhos o resgatem", disse Castillo a apoiadores de uma sacada na noite de segunda-feira. "Temos que ser respeitosos da vontade popular, e serei o primeiro a cumprir a vontade do povo peruano."

Fujimori disse que mantém a esperança de estreitar a diferença apertada de Castillo e que existe uma "intenção clara de boicotar a vontade do povo" da parte do partido do adversário, mas ofereceu poucos indícios concretos do que chamou de "irregularidades".

Em uma nota, o Citi disse que a dianteira de Castillo certamente se estreitará à medida que votos do exterior forem contados, mas que seria preciso um grande comparecimento para Fujimori voltar a ultrapassá-lo. Os votos contestados, acrescentou, podem ser cruciais.

Há cerca de 1.364 atas de votos sendo questionadas, o que provavelmente representará algo entre 270 mil e 300 mil cédulas. Elas devem ser contadas por um comitê especial criado pela comissão eleitoral, o que pode demorar ao menos uma semana.

Se Castillo vencer, os investidores observarão se ele procurará acalmar o país após uma eleição polarizadora e qual será sua mensagem inicial quanto à direção da política econômica e o panorama de investimento, disse o Goldman Sachs.

Castillo promete reescrever a Constituição para fortalecer o papel do Estado e tomar uma porção maior dos rendimentos das mineradoras. Keiko Fujimori promete seguir um modelo de livre mercado e manter a estabilidade econômica do Peru.

(Por Marco Aquino e Marcelo Rochabrun em Lima; reportagem adicional de Marc Jones, Karin Strohecker e Tom Arnold em Londres e Rodrigo Campos em Nova York)

Auxílio emergencial deve ser renovado por mais "2 ou 3 meses", diz Guedes

BRASÍLIA (Reuters) - O ministro da Economia, Paulo Guedes, disse nesta terça-feira que o governo deve estender a rodada de pagamentos do auxílio emergencial aos mais vulneráveis por mais "dois ou três meses", com a expectativa de ganhar tempo para o avanço da vacinação contra a Covid-19.

"Possivelmente vamos estender agora o auxílio emergencial, mais dois ou três meses, porque a pandemia está aí", afirmou Guedes em participação remota em um evento promovido pela Frente Parlamentar do Setor de Serviços.

"Os governadores estão dizendo que em dois ou três meses a população brasileira adulta vai estar toda vacinada, então nós vamos renovar por dois ou três meses."

Segundo o ministro, ao fim do pagamento das parcelas do auxílio o governo implementará um novo Bolsa Família, já reformulado.

O governo reeditou em abril o pagamento do auxílio emergencial, com a previsão inicial de pagamento de quatro parcelas de 250 reais. Na segunda-feira a Reuters já havia informado a intenção do governo de estender o auxílio por mais dois meses, até setembro deste ano.

A medida será custeada por um crédito extraordinário de 12 bilhões de reais a ser enviado ao Congresso e outros 7 bilhões de reais que já estão disponíveis no orçamento autorizado para o programa.

"Logo depois, entra, então, o Bolsa Família, o novo Bolsa Família, já reforçado. Então eu diria que o Brasil está encontrando seu caminho", defendeu Guedes, em alusão ao duplo compromisso do governo com a saúde da população e com o lado fiscal.

CRESCIMENTO ECONÔMICO

Ao tratar da recuperação econômica do país e as recentes revisões de projeções para cima de instituições para o Produto Interno Bruto (PIB) deste ano, Guedes afirmou que a pasta ainda mantém cálculo conservador, "entre 4% e 5%" para 2021.

"Nós estamos vendo, na economia brasileira, todas as revisões sendo feitas para cima. O crescimento econômico, que era estimado em torno de 3,2%, 3,3%, já passou de 4%. Já tem gente indo para 5%. Nós continuamos, ainda, conservadoramente, nosso cálculo entre 4% e 5% da taxa de crescimento."

Guedes também ressaltou que o país tem visto o avanço do processo de consolidação fiscal, e mencionou a trajetória de redução do déficit público neste ano, sem o sacrifício de programas de combate à pandemia.

A atual estimativa oficial do Ministério da Economia aponta para crescimento do PIB de 3,5%, de acordo com o mais recente Boletim MacroFiscal divulgado pela Secretaria de Política Econômica em maio.

REFORMA TRIBUTÁRIA

Em sua participação, o ministro também afirmou que a proposta de reforma tributária não terá "grande novidade". Guedes mencionou que, apesar de ter a preferência por um texto mais amplo, o governo fará o que for possível no momento em torno do tema.

"Ela é uma reforma moderada, estamos atentos, eu gostaria de fazer ela um pouco mais ampla, inclusive com desoneração de folha, tudo isso. Não é o momento, ainda, mas nós não vamos desistir, só vamos fazer a coisa em fatias, gradualmente, vamos fazer o que é possível agora, simplificação, redução de alíquota, vamos reduzir impostos para empresas e vamos avançar."

Ao ser questionado sobre um eventual aumento de imposto para o setor de serviços na proposta, Guedes rechaçou a ideia.

De acordo com o ministro, a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 45, que trata do tema, abordava um IVA único sob alíquota de 30%, segundo as projeções iniciais do Ministério da Economia.

"Isso seria absolutamente inaceitável para o setor de serviços. Então lutamos bastante, conversamos muito, conseguimos reduzir essas aspirações bastante para um IVA que talvez chegue a 12%", explicou.

"Mesmo reduzindo bastante em relação aos cálculos iniciais, nós ainda estamos considerando a possibilidade de ter duas alíquotas. Uma para comércio e serviços, mais baixa, e outra para indústria, um pouco mais alta. Então é onde nós estamos hoje, talvez seja a maior simplificação que a gente consiga fazer", complementou o ministro.

(Por Gabriel Ponte)

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