Reforma tributária impõe novos desafios ao agronegócio e exige adaptação das empresas
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A regulamentação do Imposto sobre Bens e Serviços (IBS), um dos principais instrumentos da reforma tributária brasileira, esteve entre os temas discutidos na Expocafé 2026. O assunto chamou a atenção de produtores rurais, cooperativas e empresas ligadas ao agronegócio devido às mudanças que devem ocorrer na forma de arrecadação dos tributos sobre o consumo nos próximos anos.
O IBS substituirá o ICMS, de competência estadual, e o ISS, de competência municipal. O novo tributo atuará em conjunto com a Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), que substituirá o PIS e a Cofins, formando o modelo conhecido como IVA dual.
Entre as principais alterações está a adoção do princípio da tributação no destino. Na prática, a arrecadação passará a ser direcionada ao local onde ocorre o consumo do bem ou serviço, e não mais ao estado de origem da operação. A mudança afeta atividades presentes em toda a cadeia agropecuária, incluindo a comercialização de insumos, o transporte, o armazenamento, a industrialização e a venda da produção.
A reforma também tende a reduzir a influência dos incentivos fiscais estaduais que marcaram o sistema tributário brasileiro nas últimas décadas. Com regras mais uniformes para a tributação do consumo, empresas e produtores deverão dedicar maior atenção à eficiência operacional e ao controle das informações fiscais.
Outro ponto debatido durante o evento foi a importância da organização dos dados fiscais. O agronegócio possui uma cadeia produtiva extensa, envolvendo produtores, cooperativas, transportadoras, armazéns, indústrias e exportadores. Nesse cenário, a correta emissão de documentos fiscais e a integração das informações entre os diferentes elos da cadeia ganham ainda mais relevância.
Informações como local de entrega, classificação fiscal dos produtos, identificação do comprador e natureza da operação passam a exigir acompanhamento mais rigoroso por parte das empresas. A expectativa é que cooperativas, cerealistas, armazéns, agroindústrias e demais agentes do setor precisem revisar procedimentos internos e adequar sistemas de gestão ao novo modelo tributário.
A rastreabilidade das operações também deverá ganhar importância. A reforma reforça a necessidade de registros consistentes ao longo de toda a cadeia produtiva, contribuindo para a correta apuração dos tributos e para o aproveitamento dos créditos previstos na legislação.
Para um setor que representa cerca de um quarto da economia brasileira, a adaptação às novas regras é vista como uma etapa importante da transição tributária. Embora o objetivo da reforma seja simplificar a tributação sobre o consumo e aumentar a transparência do sistema, o processo exigirá planejamento e preparação por parte das empresas do agronegócio.
A implementação do novo modelo ocorrerá de forma gradual, dentro do período de transição previsto pela reforma tributária, o que deverá permitir que produtores, cooperativas e empresas realizem os ajustes necessários em seus processos fiscais e administrativos.
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