PL 5122 não avança em Brasília, enquanto agricultores precisam seguir diante de clima desafiador e juros elevados
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O Conexão Campo Cidade desta semana debateu os desafios enfrentados pelo agronegócio brasileiro, desde as dificuldades nas relações comerciais internacionais até o impasse em torno do Projeto de Lei 5.122, que trata da renegociação das dívidas dos produtores rurais. Participaram do programa Marcelo Prado, Antônio da Luz, Samanta Pineda e o produtor rural Nivaldo Forastieri.
Na abertura da discussão, Antônio da Luz criticou a condução das relações internacionais do Brasil diante das recentes dificuldades para a carne bovina brasileira em mercados como União Europeia e China. Segundo ele, a abertura e manutenção de mercados dependem não apenas do relacionamento entre empresas, mas também de acordos governamentais e de uma atuação constante nas negociações internacionais.
Samanta Pineda reforçou que o Brasil precisa participar das discussões desde a elaboração das normas internacionais, e não apenas se manifestar quando as regras já estão definidas. Como exemplo, citou o Green Deal europeu e a legislação antidesmatamento da União Europeia, debatidos durante anos antes de entrarem em vigor.
Convidado do programa, o produtor rural Nivaldo Forastieri também abordou a situação da segunda safra de milho no Paraná. Segundo ele, uma forte chuva de granizo destruiu parte das lavouras de soja ainda em novembro, obrigando muitos produtores a realizar o replantio e atrasando o calendário da segunda safra. Apesar dos desafios climáticos, ele afirmou que a expectativa é de uma safra considerada normal, embora insuficiente para recuperar as perdas acumuladas nos últimos anos.
Outro tema central foi o andamento do PL 5.122, que busca criar mecanismos para a renegociação das dívidas dos produtores rurais afetados por eventos climáticos. Marcelo Prado destacou a preocupação com a demora nas definições, lembrando que o plantio da próxima safra começa em setembro e muitos agricultores seguem sem acesso ao crédito necessário para adquirir insumos.
Samanta Pineda explicou que, apesar dos esforços da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), o projeto não avançou antes do recesso parlamentar. Segundo ela, uma das alternativas discutidas pelo governo envolve novas condições para renegociação das dívidas relacionadas a perdas ocorridas entre 2019 e 2025, mas ainda existem dúvidas sobre os critérios para comprovação dos prejuízos e sobre a operacionalização das análises.
Antônio da Luz afirmou que a proposta construída pela FPA buscava criar um mecanismo de renegociação sem depender de novos recursos do Orçamento, mas avaliou que o governo resistiu ao projeto. Para ele, caso as medidas anunciadas não contemplem também as dívidas com recursos livres, a solução terá alcance limitado e não resolverá o problema do endividamento dos produtores.
Durante o debate, Nivaldo Forastieri afirmou que muitos agricultores já não acreditam mais na aprovação da proposta em tempo hábil e têm recorrido a renegociações diretamente com os bancos, muitas vezes contratando crédito com juros mais elevados. Segundo ele, esse cenário tem contribuído para a concentração de terras e aumentado as dificuldades enfrentadas pelos produtores de menor porte.
Os participantes também discutiram outros temas ligados ao ambiente econômico e político do país, como a escassez de mão de obra no campo, os impactos de propostas relacionadas à jornada de trabalho, a necessidade de ampliar o seguro rural e os desafios da economia brasileira para os próximos anos.
Assista ao Conexão Campo Cidade toda segunda-feira, das 17h às 18h, ao vivo no Notícias Agrícolas. O programa conta com grandes nomes do agronegócio — Marcelo Prado, José Luiz Tejon, Roberto Rodrigues, Antônio da Luz, Leticia Jacintho e Samanta Pineda — debatendo os principais temas que conectam o campo e a cidade.
1 comentário
PL 5122 avança e pode abrir caminho para renegociação ampla de dívidas no campo
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Adilson Garcia Miranda São Paulo - SP
O governo não quer usar recursos do fundo do pré-sal, em benefício do PL5122, a fim de ter recursos , para seus projetos paternalistas, que favoreça, seu projeto de poder.