Muitos produtores ainda não estão preparados para emissão de nota fiscal e novas regras da Reforma Tributária
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O Conexão Campo Cidade desta semana recebeu a advogada tributarista Liliane Cisotto para discutir os impactos da reforma tributária no agronegócio. Participaram do debate Marcelo Prado, José Luiz Tejon e Samanta Pineda.
Na abertura do programa, Marcelo Prado questionou se os produtores rurais já estão se preparando para a entrada em vigor do novo sistema tributário a partir de 2027. Segundo Liliane Cisotto, muitos agricultores ainda não dimensionaram a profundidade das mudanças. Ela afirmou que parte dos produtores acredita que a reforma possa ser revertida após as eleições, enquanto outros têm dificuldade de aceitar uma alteração tão ampla na rotina fiscal das propriedades.
A advogada explicou que os produtores que já operam com nota fiscal eletrônica precisarão estar totalmente adequados às novas exigências em curto prazo, mas avaliou que ainda há um grande número de agricultores sem estrutura preparada para essa transição.
Samanta Pineda afirmou que o produtor rural está dividido entre a preocupação e a incerteza. Segundo ela, muitos clientes têm procurado orientação sem saber se precisarão alterar a forma de organização patrimonial ou empresarial das fazendas. Para a advogada, a reforma tributária já está consolidada e passará a valer em 2027, o que exige planejamento desde agora.
Tarifas dos Estados Unidos
O programa também debateu o tarifaço imposto pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros. Liliane Cisotto avaliou que setores como calçados, etanol e açúcar podem sofrer impactos relevantes e defendeu a diversificação dos mercados de exportação para reduzir a dependência de poucos compradores.
Marcelo Prado chamou atenção para o peso da China nas exportações brasileiras e lembrou que a concentração excessiva em um único mercado aumenta a vulnerabilidade do setor. Os participantes concordaram que abrir novos mercados é um processo complexo, que envolve exigências sanitárias, hábitos de consumo e negociações de longo prazo.
Reforma tributária
Na parte final do debate, Liliane Cisotto explicou que a reforma tributária preservou o ato cooperativo e garantiu um tratamento diferenciado às cooperativas. Segundo ela, essas entidades poderão optar pela adesão ao novo regime de tributação, mantendo a proteção constitucional já existente para as operações típicas do cooperativismo.
A advogada afirmou ainda que a reforma tende a integrar mais fortemente todos os elos da cadeia produtiva, já que fornecedores, produtores e agroindústrias passarão a depender de uma organização fiscal mais rigorosa para garantir o aproveitamento de créditos tributários. Apesar da fase de transição ser considerada difícil e burocrática, ela se declarou entusiasta do novo modelo e avaliou que, no longo prazo, a mudança pode trazer ganhos de eficiência para o sistema tributário brasileiro.
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