Apesar de cota, Brasil deve seguir atendendo ao avanço da demanda chinesa por carne bovina

Mauricio Palma Nogueira, diretor da consultoria Athenagro, aponta que a China não é capaz de ser autossuficiente em carne bovina, à medida que a população buscará cada vez mais o produto
Publicado em 14/09/2026 18:02 | Atualizado em 30/09/2026 11:30
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Cenário Internacional da Pecuária: EUA, China e União Europeia

Maurício Palma Nogueira iniciou o debate traçando um diagnóstico da pecuária de corte nos Estados Unidos, que enfrenta redução substancial em seu rebanho e descompasso entre a queda do preço do boi gordo ao produtor e a alta da carne ao consumidor final. Segundo o analista, esse quadro abre espaço para o produto brasileiro, que tem potencial para abocanhar parcelas expressivas do mercado norte-americano.

Em relação à China, Nogueira avaliou o comportamento do país diante de cotas e sobretaxas, destacando que a demanda chinesa por proteína animal continuará firme no longo prazo. Ele frisou que a busca chinesa por segurança alimentar não deve anular a dependência da carne bovina importada, segmento no qual o Brasil se destaca pela escala e custo competitivo. Também foi mencionada a vinda de auditores chineses para vistoriar frigoríficos brasileiros, sinalizando a manutenção das relações comerciais.

Já sobre as exigências da União Europeia ligadas a normas ambientais e rastreabilidade para o controle de antimicrobianos, o debate expôs falhas de representação e negociação do setor. Maurício Nogueira apontou que o uso de antimicrobianos ocorre na fase final de engorda e que a tentativa de impor rastreamento em todas as etapas de cria e recria pode gerar distorções severas: "Se eu pressionar muito agora, eu vou causar uma exclusão muito grande de pequeno produtor no campo [...] e vamos fazer um mercado paralelo, o mercado informal vai andar muito mais", alertou.

Preço do Petróleo e a Ameaça de Desabastecimento de Diesel

Outro ponto de forte preocupação levantado na bancada foi a alta do barril de petróleo no mercado internacional, cotado acima dos 100 dólares, impulsionado por tensões geopolíticas e ataques a refinarias. Antônio da Luz alertou para o impacto direto sobre o custo de produção agrícola no momento crucial de início do plantio das safras de verão.

O economista destacou que o Brasil depende da importação de cerca de 25% do diesel que consome e que a política de defasagem de preços praticada internamente cria riscos graves: "Nós poderemos perder a guerra nos primeiros dias por falta de combustível", frisou Antônio, relatando que produtores já enfrentam restrições de cotas e racionamento na compra de combustível nas distribuidoras regionais.

Gargalos de Educação e Produtividade da Mão de Obra

O encerramento do debate trouxe uma reflexão sobre a produtividade brasileira e os recentes resultados do Programa Internacional de Avaliação de Alunos (PISA). Antônio da Luz e Marcelo Prado destacaram a defasagem no ensino básico, em que a maioria esmagadora dos estudantes não atinge níveis mínimos em matemática e ciências, comprometendo a formação técnica e a capacidade de inovação das próximas gerações.

Marcelo Prado encerrou apresentando dados comparativos de produtividade: "A produtividade da mão de obra brasileira é de 20 dólares por hora trabalhada, enquanto no Chile é 32, no México 27 e nos Estados Unidos 83 dólares", ressaltou. Prado pontuou que, embora a agropecuária dentro da porteira tenha avançado expressivos 6,1% ao ano nas últimas décadas graças à tecnologia, a média geral do país cresce a passos lentos (0,8% ao ano), reforçando a necessidade urgente de investimentos sólidos em educação, infraestrutura e segurança jurídica.

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