Boa Tarde Agro - Semana de forte volatilidade marca o agronegócio com pressão sazonal em Chicago e cautela pré-eleitoral no Brasil

Publicado em 02/10/2026 16:49 e atualizado em 02/10/2026 17:41
Entre colheita norte-americana, início do plantio da safra de verão e incertezas políticas, mercados de soja, milho, café e combustíveis operam com cautela.
Boa Tarde Agronegócio - com Carla Mendes e Guilherme Dorigatti

O encerramento da semana trouxe um panorama de intensa movimentação e cautela para os principais mercados do agronegócio. Em meio ao avanço da colheita nos Estados Unidos, ao início dos trabalhos de plantio da safra de verão no Brasil e à expectativa diante do cenário eleitoral e de relatórios internacionais, as cotações agrícolas registraram oscilações expressivas nas bolsas externas e no mercado doméstico.

Soja: pressão sazonal externa e sustentação pelo câmbio

Na Bolsa de Chicago, a soja enfrentou dias de recuo nos preços, rompendo suportes importantes e fechando os contratos mais negociados no campo negativo. A pressão sazonal provocada pela entrada da safra norte-americana e a falta de fatos novos na demanda internacional pesaram sobre os contratos futuros. Em entrevista, o consultor de mercado Vítor Caos, da Venda na Hora Certa, destacou que o mercado opera sem fôlego adicional de compras.

"Existem fatores novos que precisariam acontecer para que as cotações voltassem a subir, como compras muito aceleradas da China ou atrasos severos no plantio brasileiro, o que ainda não é a realidade. O mercado tem ficado muito lateralizado e os prêmios, juntamente com o dólar, têm sustentado os preços em reais", explicou Vítor Caos. O analista ainda frisou a relevância de o produtor observar o carrego cambial e utilizar ferramentas de proteção financeira em vez de focar apenas no preço spot.

Milho enfrenta perdas expressivas e redução no ritmo exportador

O mercado do milho encerrou a semana acumulando queda de quase 6% na Bolsa de Chicago, influenciado pelo aumento dos estoques trimestrais divulgado pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA). No Brasil, as cotações na B3 acompanharam o movimento baixista internacional.

Além da pressão dos estoques nos EUA, o consultor Luiz Fernando Gutierrez, da Safras/HedgePoint, alertou para o comportamento das exportações brasileiras. Embora o consumo interno siga aquecido, as estimativas de embarques nacionais recuaram de patamares entre 42 e 43 milhões de toneladas para cerca de 38 milhões de toneladas — volume inferior ao registrado no mesmo período do ano anterior —, o que pode limitar a sustentação das cotações no fechamento do ano.

Café, algodão e açúcar: fundamentos ajustados e desafios climáticos

No complexo cafeeiro, a semana foi marcada por volatilidade, mas com fechamento favorável aos preços. Eduardo Carvalhaes, diretor do Escritório Carvalhaes, pontuou que o cenário de oferta restrita no médio prazo permanece ativo: "Se não faltar café, sobrar também não vai", salientou, lembrando que os armazéns cheios refletem o pico de entrada da colheita recém-concluída, mas os estoques certificados globais continuam reduzidos.

No mercado de fibras, o algodão encerrou a semana com recuo de quase 5% na Bolsa de Nova York, devolvendo ganhos observados em meses anteriores. Já no setor sucroenergético, as atenções recaem sobre os impactos das chuvas nas áreas canavieiras do Centro-Sul do país, que prejudicaram o ritmo da colheita e podem elevar o volume de cana bisada para o ciclo seguinte, influenciando tanto a produção de açúcar quanto o direcionamento para o etanol.

Combustíveis e pecuária

No setor de combustíveis, levantamento da Edenred Mobilidade indicou que o etanol hidratado subiu mais de 3% no Sudeste no encerramento de setembro, mas segue como a opção economicamente mais vantajosa frente à gasolina e ao diesel. Já na pecuária de corte, analistas apontam que o mercado futuro de boi gordo precisaria de estímulos mais consistentes de preços para garantir a oferta de animais no início de 2027, em meio à desaceleração recente nos abates e recomposição de margens.

Perspectivas e clima

O monitoramento meteorológico aponta para os efeitos de um El Niño de forte intensidade, trazendo calor persistente e distribuição irregular das chuvas no país, com divergências entre especialistas sobre a consolidação total do fenômeno. Diante das oscilações climáticas talhão a talhão e das indefinições políticas e macroeconômicas, a recomendação central para o produtor rural é manter disciplina na gestão de custos e planejamento escalonado da comercialização.

* Com auxílio de IA

Fonte: Notícias Agrícolas

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