Boa Tarde Agro - Agro da região de Chapecó/SC já contabiliza R$ 13 milhões de prejuízo após tornado
A quinta-feira foi marcada por fortes impactos climáticos nas lavouras do Sul do Brasil e por movimentações negativas nas principais bolsas de commodities agrícolas internacionais. Entre os destaques, o levantamento preliminar dos estragos causados por tornados em Santa Catarina apontou perdas milionárias para o agronegócio, enquanto o mercado futuro de grãos em Chicago fechou em queda após a divulgação dos dados de vendas para exportação do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA).
Tornados deixam prejuízo de R$ 13 milhões em Chapecó e alertas continuam
Um levantamento preliminar divulgado pela Secretaria de Agricultura e Pesca de Chapecó e pela Epagri revelou que a passagem de um tornado no oeste catarinense gerou ao menos R$ 13 milhões em prejuízos diretos à agropecuária local. As perdas atingiram lavouras de milho, trigo, horticultura, bovinocultura de leite, reflorestamento e granjas avícolas.
O setor de horticultura concentrou a maior fatia dos danos, somando cerca de R$ 6 milhões em infraestruturas danificadas. No milho, a estimativa aponta para a perda de 4 mil toneladas (prejuízo de R$ 3,74 milhões), e no trigo, cerca de 490 toneladas (R$ 653 mil). Na pecuária de leite, as perdas chegam a 150 mil litros devido à tempestade e à interrupção de energia elétrica, totalizando R$ 410 mil. Na avicultura, foram registrados R$ 500 mil em perdas estruturais e a morte de 6.500 perus.
O cenário meteorológico segue em estado de atenção. A formação de uma frente fria ligada a um ciclone extratropical no Oceano Atlântico colocou áreas do Sul e do Sudeste sob alerta para tempestades, vendavais de até 100 km/h e granizo até o final de semana, com avisos do Inmet e da Defesa Civil atingindo Paraná, São Paulo e Santa Catarina.
Ameaça do El Niño e atraso no plantio do Paraná
O impacto do clima adverso já repercute no potencial produtivo do país. Um estudo conduzido pela Serasa Experian apontou que a intensidade severa do fenômeno El Niño pode retirar mais de 17 milhões de toneladas de soja do mercado nacional, o que representaria uma quebra de quase 10% no volume colhido e um prejuízo potencial de R$ 33 bilhões.
No Paraná, o Departamento Técnico e Econômico do Sistema FAEP destacou preocupação com o excesso de chuvas e a falta de luminosidade, que já afetam a produtividade das lavouras de feijão e atrasam o plantio da soja. O atraso no ciclo da oleaginosa também ameaça estreitar a janela ideal de semeadura do milho safrinha de 2024.
USDA e óleo derrubam cotações da soja em Chicago
Na Bolsa de Chicago (CBOT), os preços da soja iniciaram o pregão em alta, mas inverteram o sinal e fecharam em queda após o relatório semanal de exportações do USDA. As vendas semanais de soja norte-americana recuaram 44% em relação à semana anterior, apesar de os embarques terem atingido a máxima da temporada. Os contratos futuros recuaram entre 9 e 12,50 pontos, com os vencimentos de novembro, janeiro e março operando abaixo de US$ 12 por bushel.
Em entrevista ao programa, o diretor da Pátria Agronegócios, Cristiano Palavro, explicou a dinâmica do dia: "Não foi um número totalmente ruim, tivemos uma confirmação de venda de pouco mais de 1,4 milhão de toneladas, mas foi bem abaixo da semana passada. Além disso, pesou muito a derrocada do óleo de soja e do petróleo, em meio às incertezas sobre o programa de biocombustíveis nos Estados Unidos e as posições compradas dos fundos especulativos que estão sendo liquidadas", ressaltou.
Relações China-EUA e competitividade do produto brasileiro
Outro ponto de pressão foi a declaração de autoridades chinesas condicionando a continuidade da ampliação de compras agrícolas dos EUA à reciprocidade na retirada de tarifas comerciais. Segundo Palavro, embora a China venha cumprindo o ritmo de compras de soja (cerca de 18 milhões de toneladas compradas de 25 milhões prometidas), o valor total em dólares ainda está aquém da meta acordada.
No mercado brasileiro, o analista explicou que o dólar mais alto atuou como suporte parcial, mas foi insuficiente para conter as quedas internas. "A nossa competitividade para a soja disponível ainda é boa porque o frete marítimo do Brasil para a China está mais barato que o do Golfo americano. Já nos aproximamos de 112 milhões de toneladas compromissadas para exportação na safra velha. Contudo, para a safra nova, o produtor brasileiro vendeu menos de 40% e precisa monitorar janelas estratégicas de venda para garantir fluxo de caixa, principalmente diante das incertezas climáticas e das pressões em Chicago", avaliou Palavro.
Implicações para o setor
O momento exige prudência redobrada do produtor rural brasileiro. A combinação de adversidades climáticas no Centro-Sul com a volatilidade cambial e a pressão baixista em Chicago reforça a necessidade de gestão de risco e disciplina na comercialização, aproveitando repiques pontuais de preços ou utilizando ferramentas de proteção nas bolsas para travar custos e proteger a rentabilidade da safra.
* Com auxílio de IA