BOA TARDE AGRO - Milho tem melhor mês de exportação do ano em outubro; farelo de soja também avança

Publicado em 06/11/2026 16:24 e atualizado em 06/11/2026 17:13
Santa Catarina pode ter mais um tornado neste final de semana; preços do tomate disparam no Rio Grande do Sul
Boa Tarde Agronegócio - com Carla Mendes e Guilherme Dorigatti
Podcast

BOA TARDE AGRO - Milho tem melhor mês de exportação do ano em outubro; farelo de soja também avança

O agronegócio encerrou a primeira semana de novembro com a consolidação de dados estratégicos do comércio exterior e a atenção voltada para o clima no Sul do país. De acordo com o balanço consolidado da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) referente aos 20 dias úteis de outubro, o setor registrou movimentações expressivas nos embarques de grãos, carnes e frutas, além de uma aceleração de última hora nas importações de fertilizantes. Em paralelo, a ocorrência de tempestades severas e a transição de safras provocam impactos diretos na produção e nos preços ao consumidor.

Milho tem melhor mês de exportação no ano, mas acumulado fica abaixo de 2025

As exportações brasileiras de milho registraram em outubro o seu melhor desempenho mensal do ano, somando 5,69 milhões de toneladas embarcadas. Apesar do fôlego, o volume ficou 12,5% abaixo das 6,5 milhões de toneladas registradas em outubro do ano anterior, com receita 1% inferior. O faturamento foi sustentado pelo preço médio, que teve alta de 13% na comparação anual. Segundo levantamento da consultoria Terra Agronegócios, a média para o mês entre 2021 e 2025 foi de 5,99 milhões de toneladas.

Segundo o especialista da consultoria agro do Itaú BBA, Francisco Queiroz, a desaceleração das exportações no acumulado do ano decorre da menor competitividade do cereal brasileiro e da retração nas compras efetuadas pelo Irã. Queiroz ressaltou ainda que a comercialização interna avançou e os compradores domésticos encontram-se relativamente abastecidos, cenário que tende a manter a pressão sobre as cotações no curto prazo.

Farelo de soja, frutas e carne bovina avançam no comércio exterior

O farelo de soja apresentou forte recuperação na reta final de outubro, fechando o período com volume 21% superior ao do mesmo mês do ano anterior e avanço de 53% na receita média. A média diária exportada encerrou 20,7% acima da marca de 2025, revertendo as quedas observadas nas primeiras semanas daquele mês.

No segmento de frutas e nozes (frescas ou secas), as receitas subiram quase 9% na comparação anual, sustentadas pela alta de 9,5% no preço médio pago pelo mercado internacional, já que o volume total exportado ficou estável em 142,3 mil toneladas. Na pecuária, a China voltou a ocupar a liderança como principal destino da carne bovina brasileira, somando quase 42 mil toneladas embarcadas com vistas à cota tarifária, enquanto outros destinos atingiram volumes recordes para o período, sinalizando uma diversificação de parceiros comerciais.

No fluxo de importações, a compra de fertilizantes acelerou na última semana de outubro, alcançando mais de 4,2 milhões de toneladas e registrando um ritmo médio diário 2,7% superior ao do ano anterior, após ter registrado retração de 10% até a quarta semana do mês.

Alerta para novas tempestades severas e tornados no Sul

No cenário meteorológico, o Sul do Brasil permanece em estado de vigilância. Após tornados provocarem destelhamentos e cerca de R$ 13 milhões em prejuízos ao agronegócio na região de Chapecó e Xanxerê, em Santa Catarina, uma nova frente fria traz risco de tempestades severas para o fim de semana.

Conforme avaliação da meteorologista Amanda Balbino, da consultoria Ampére, a dinâmica atmosférica favorece a formação de granizo, fortes rajadas de vento e não descarta a ocorrência de novos tornados nos três estados sulistas a partir de sábado. Os acumulados de chuva podem variar entre 50 e 70 milímetros em áreas do Norte gaúcho, Santa Catarina e Sudoeste do Paraná. No domingo, a instabilidade tende a perder força no Sul e migrar em direção ao Sudeste, atingindo pontos isolados de São Paulo e Sul de Minas Gerais.

Preço do tomate bate recorde histórico na Ceasa-RS

Os desdobramentos climáticos e a entressafra já afetam diretamente os preços no mercado doméstico. O tomate longa vida subiu mais de 30% em relação à semana anterior e atingiu R$ 15,00 por quilo na Ceasa do Rio Grande do Sul, marcando o maior valor de toda a série histórica do levantamento estadual.

De acordo com o informativo conjuntural da Emater-RS, a escalada de preços decorre de um cenário atípico de escassez de oferta gerado pelo término da colheita nas regiões produtoras mais antigas do Sudeste e pelo atraso no desenvolvimento das novas lavouras gaúchas, prejudicadas pelas temperaturas amenas da primavera. O encarecimento do produto também já foi verificado em centrais de abastecimento de São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Paraná.

* Com auxílio de IA

 

Fonte: Notícias Agrícolas

NOTÍCIAS RELACIONADAS

Exportações de ovos crescem 15% e fortalecem a diversificação de produtos mineiros embarcados
Exportações do agro mineiro somam US$ 3,93 bilhões no 1º trimestre do ano
Exportações somadas de milho, soja e farelo do Brasil ao Irã sofrem pouco apesar da guerra
Agro brasileiro exporta US$ 16 bilhões em maio e responde por mais da metade das vendas externas do país
Soja, milho e trigo despencando em Chicago, alerta para mais temporais no RS e exportações brasileiras melhorando
Exportações de milho e frutas melhorando, importações de trigo aumentando e soja nos R$ 150 nos portos