Safra brasileira de algodão 25/26 é revisada para 4,271 milhões de toneladas de pluma
Safra brasileira de algodão 25/26 é revisada para 4,271 milhões de toneladas de pluma
Três fatores globais que geram preocupação
Segundo o especialista, o retorno do encontro internacional trouxe um nível maior de alerta em comparação ao início da viagem. O primeiro ponto de atenção é a desaceleração do Produto Interno Bruto (PIB) global, que vinha sendo camuflada pelos fortes aportes na indústria de inteligência artificial. Fiações e indústrias de países compradores chave — como Turquia, Vietnã e China — relataram sentir um recuo significativo na demanda ao longo dos últimos três meses.
O segundo elemento envolve a instabilidade geopolítica e recentes movimentações dos Estados Unidos em relação ao conflito entre Rússia e Ucrânia, como negociações e compras pontuais de diesel russo, o que adiciona imprevisibilidade ao comércio global. Em terceiro lugar está o avanço do projeto 'Buy American Cotton Again' (BACA), nos Estados Unidos, que propõe subsídios do governo para incentivar a indústria têxtil mundial a comprar a pluma norte-americana. A proposta já passou pelo Congresso norte-americano e aguarda votação no Senado.
O cenário turco e a força das exportações brasileiras
A Turquia, um dos cinco maiores destinos do algodão brasileiro — com destaque para as compras de Mato Grosso —, enfrenta um quadro macroeconômico desafiador. Para combater uma inflação acentuada, o país convive com taxas de juros elevadas, na casa dos 36% ao ano, além de ainda vivenciar a reconstrução após os terremotos de 2023. Por outro lado, a indústria têxtil turca se beneficia do acesso privilegiado ao mercado europeu pela sua localização geográfica estratégica.
Passoti destacou que a diversificação de clientes protege o Brasil de oscilações pontuais em parceiros comerciais: cerca de 80% a 85% do algodão exportado pelo país é distribuído entre cinco grandes compradores: Turquia, Vietnã, Paquistão, Bangladesh e China, evitando a dependência excessiva de uma única nação.
Safra: produtividade recorde no Brasil e dúvidas nos EUA
No front da oferta, a Associação Nacional dos Exportadores de Algodão (Anea) aponta para revisões altistas na produção brasileira de pluma. Esse movimento reflete ganhos expressivos de produtividade em solo nacional nos últimos anos, fruto da combinação entre clima favorável, manejo, genética e mecanização, superando inclusive a produtividade média da Austrália, onde a maior parte da lavoura é irrigada.
Em contrapartida, as projeções do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) para a safra norte-americana podem sofrer ajustes para baixo. Com a colheita em andamento no país norte-americano, especialistas avaliam que o volume total de produção pode recuar para níveis inferiores às 3 milhões de toneladas atualmente estimadas.
Preços em 80 cents e a recomendação de travas
Diante de cotações orbitando a faixa de 80 centavos de dólar por libra-peso para os vencimentos de dezembro, março e maio na ICE, o consultor alertou que os produtores não devem balizar suas expectativas pela marca excepcional de 1 dólar por libra-peso, patamar atingido apenas três vezes nas últimas duas décadas.
Peri Passoti recomendou que o cotonicultor utilize mecanismos de derivativos e ferramentas de gestão de risco para proteger margens no patamar atual: 'A gente reza para Alá, mas amarra os camelos. Então, os produtores, enquanto rezam para o preço ir a 90 ou 95 centavos, deveriam amarrar os camelos ao redor de 80 centavos', pontuou, ressaltando a importância de estar precavido contra potenciais quedas sem deixar de capturar eventuais altas do mercado.
* Com auxílio de IA