Com a alta nos preços da reposição, pecuaristas no interior de São Paulo estão cautelosos para negociar o boi gordo

Publicado em 04/03/2020 12:26
Pecuarista alerta que o ano deve ser marcado por valores elevados na reposição e na ração dos animais. Para remunerar os pecuaristas, a arroba deveria estar cotada a R$ 210,00/@.
Sérgio Przepiorka - Pecuarista e Proprietário do Boitel Chaparral

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Entrevista com Sérgio Przepiorka - Pecuarista e Proprietário do Boitel Chaparral sobre o Mercado do Boi Gordo

 

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Na região de Rancharia/SP, os pecuaristas estão cautelosos para realizar novos negócios para o boi gordo em função de a reposição estar com preços aquecidos. Além disso, os produtores relatam dificuldade em encontrar animais jovens que chegam a custar na média de R$ 2.000,00/cab do bezerro e a novilha está em torno de R$ 1.600,00/cab.

De acordo com o Pecuarista e Proprietário do Boitel Chaparral, Sérgio Przepiorka, a referência do boi gordo deveria estar ao redor de R$ 210,00/@ para remunerar os pecuaristas. “Os preços da reposição estão elevados, mas é um valor justo para os produtores que atuam na cria dos animais e os patamares de preços atuais devem permanecer”, relata.

Nesta semana, os valores da arroba seguem sustentados ao redor de R$ 200,00/@ a R$ 205,00/@. Com a oferta de animais restrita, as media das programações de abate estão se mantendo em torno de sete dias corridos.

O pecuarista aponta que a tendência é que os valores da arroba do boi tenham um incremento com o vazio na oferta de animais. “O problema é que a comida do animal está cara, e quando chove muitos pecuaristas colocam os animais no pasto para reduzir o custo da arroba produzida. Porém, eu acredito que podemos ter um buraco na oferta no final deste mês e a arroba registre uma alta”, comenta.

As compras chinesas por carne bovina tiveram uma diminuição devido ao feriado e o corona vírus. “Nós sabemos que uma hora os estoques acabam e os chineses podem buscar por proteína animal para abastecer o mercado. Apenas o Brasil tem o padrão de animal que a china exige a nível mundial”, ressalta.

Outra preocupação do mercado é com a demanda pelo o cereal, tendo em vista que a produção de etanol de milho deve comprometer boa parte da oferta produzida no Brasil. “As usinas fazem o etanol de milho e sobra o DDG que dá para trabalhar na engorda do boi, só que o DDG está muito caro e estamos falando de valores acima de R$ 800,00/ton”, alerta. 

A recomendação é que os pecuaristas comecem a comprar o cereal e outros componentes da ração antecipadamente e armazenar. “Atualmente, a saca do milho está cotado entre R$ 50,00 a R$ 53,00 por saca e esses valores acabam pesando no bolso do pecuarista.  É preciso montar estratégias para se prevenir dos custos elevados”, afirma.

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Por: Andressa Simão
Fonte: Notícias Agrícolas

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