China quer renegociar preços da carne bovina brasileira e frigoríficos se preocupam com uma desaceleração nas compras

Publicado em 29/05/2020 13:41 e atualizado em 29/05/2020 16:43
Novos ajustes na demanda dos frigoríficos de mercado interno estão previstos diante do agravamento da situação econômica no Brasil
Gustavo Figueiredo - Analista da AgroAgility

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Entrevista com Gustavo Figueiredo - Analista da AgroAgility sobre o Mercado do Boi Gordo

 

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Os compradores chineses querem renegociar alguns preços da carne bovina brasileira que já chegaram ao País e alguns frigoríficos se planejam para encurtar as escalas de abate.  Diante das incertezas econômicas no mercado interno, o consumo pode ficar mais comprometido e pressionar os preços da arroba.

De acordo com o Analista da AgroAgility, Gustavo Figueiredo, as estratégias adotadas pelos os frigoríficos no início do isolamento da população contribuiu para evitar excedente no mercado interno. “As indústrias perceberam que a demanda seria afetada pelo o coronavírus. A expectativas apontam que o consumo deve retrair ainda mais no próximo semestre”, comenta.

Com as incertezas ainda no mercado interno, a expectativa é que as indústrias frigoríficas tenham que fazer novos ajustes nas operações.  “A partir de agora até o final do ano, as demissões devem começar a aumentar e os números de desempregados podem ficar maiores do que em 2019”, destaca.

Outro fator que contribuiu para a sustentação da arroba nestas últimas semanas foi o câmbio, na qual o dólar quase chegou aos R$ 6,00. “A valorização cambial ajudou nas margens dos frigoríficos e a demanda chinesa aquecida ajudou a sustentar ainda mais os preços da carne”, relata.

O analista ainda aponta que o setor depende exclusivamente da demanda chinesa para seguir com a sustentação da arroba. “Nós não sabemos como vai ser nos próximos meses e vamos trabalhar de maneira conservadora. Estamos observando que algumas compras chinesas começaram a ser renegociadas e os frigoríficos não querem fazer uma escala tão longa como fizeram a pouco tempo”, ressalta.

Atualmente, as referências para o animal com padrão exportação estão em torno de R$ 205,00/@ e para o animal comum está próxima de R$ 195,00/@. “Temos um ágio de R$ 10,00 a R$ 15,00 e se as exportações desacelerarem vai ter um impacto muito forte nos preços da arroba”, explica.

Por: Aleksander Horta e Andressa Simão
Fonte: Notícias Agrícolas

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