Movimento de alta para a arroba do boi está chegando no limite, alerta a Consultoria Agrifatto

Publicado em 30/09/2020 13:05 e atualizado em 30/09/2020 17:53
Alguns sinais como a carne no atacado que já não acompanha mais a alta da arroba, o mercado de opções mudando o perfil dos negócios e as margens brutas negativas nos frigoríficos mostram que o preço do boi já estaria esticado demais
Yago Travagini Ferreira - Analista de Mercado da Agrifatto

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Entrevista com Yago Travagini Ferreira - Analista de Mercado da Agrifatto sobre o Mercado do Boi Gordo

 

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Em entrevista ao Notícias Agrícolas, o Analista de Mercado da Agrifatto, Yago Travagini Ferreira, informou que as referências para a arroba registraram uma alta de R$ 70,00 desde maio, em que estava cotada a R$ 190,00. “Nas últimas semanas estamos observando leves sinais de que os preços devem ficar próximos da estabilidade e depois começar a partir para um movimento de desvalorização”, afirma.

Com a arroba em patamares recordes, os preços da carne no atacado começam a sofrer com leves desvalorizações e encontrando uma barreira para que o valor no varejo não consiga avançar. “Os consumidores de uma classe mais baixa, que consome o dianteiro, não está conseguindo comprar um corte mais caro. Com isso, a população está migrando para a carne de frango que tem registrado valorizações nos últimos dias”, destaca.

Com os valores da arroba em alta, algumas indústrias já começam a reduzir os abates e dando férias coletivas. “É um movimento natural dos frigoríficos de serem cautelosos e esperar o comportamento do mercado, isso querendo ou não pode ser usado pelos participantes do mercado”, reportou Travagini.

Os frigoríficos trabalham com uma margem bruta de lucro negativa em 2,4% da carne para o boi gordo. ”Esse movimento que recuo na margem vem sendo observado desde maio, mas nos últimos três anos trabalhava no positivo. É comum o frigorífico operar com uma margem negativa, porém vai pressionando o caixa e vai recebendo cada vez menos pelos subprodutos do animal”, comenta.

Com relação às proteções de preços aos pecuaristas, o mercado tem registrado um aumento das negociações em Puts e que protege o produtor de quedas nas referências da arroba. “Estamos no maior nível de participação de proteção de preços desde o final de abril desse ano, com 43%”, ressalta.

Por: Aleksander Horta e Andressa Simão
Fonte: Notícias Agrícolas

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