Choque recente nos preços do petróleo pesa diretamente sobre a inflação e custos, carregando efeitos acumulados

Publicado em 10/04/2026 09:45 e atualizado em 10/04/2026 11:32
Estudos da Ceres Investimentos considera mais de 20 anos de dados contabilizando câmbio, combustíveis, fertilizantes, entre outros ativos e mostra que impactos direto no IPCA, que se intensificam ao longo dos períodos e pelo efeito dos conflitos recentes no Oriente Médio.
Sarah Dare - Economista & Especialista em Inteligência de Mercado para Agronegócio
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ENTREVISTA BOM DIA AGRO COM - Sarah Dare - Economista & Especialista em Inteligência de Mercado para Agronegócio


O choque sentido pelos preços do petróleo recentemente, em função dos conflitos no Oriente Médio, traz um impacto direto sobre a inflação e os custos de produção no Brasil, segundo aponta um estudo feito pelo Grupo Ceres Investimentos. Em entrevista ao Bom Dia Agronegócio, a economista e head de inteligência de mercado para o agronegócio da empresa, Sarah Frick Dare, detalhou os impactos e os efeitos cumulativos que o atual momento exerce sobre a economia nacional. 

"Se o IPCA hoje tivesse uma variação de 0,30%, esse choque já geraria m impacto de 0,35% no primeiro mês e o mais importante, ele se arrasta ao longo de 12 meses, podendo chegar a 0,40%", detalha Sarah. A economista afirma ainda que a inflação do setor dos transportes é uma das que carrega maior peso, em função do impacto direto do petróleo nos combustíveis.

No setor de alimentos, o impacto mais sentido é da alta agressiva nos preços dos fertilizantes. Além disso, há ainda os efeitos mais agressivos para as proteínas animais, que possuem uma cadeia mais alongada. 

Além disso, a análise reforça a perspectiva de que mesmo que que os conflitos sejam finalizados - ou ao menos paralisados temporariamente - seus efeitos continuarão a ser sentidos, considerando que a retomada das atividades, do dia a dia de infraestruturas, da logística, deve demorar um tempo considerável.

"Uma conclusão do nosso estudo é, além deste impacto forte, no primeiro momento, que se arrasta, principalmente para os alimentos, mas a questão dos fertilizantes. Porque não se trata só da guerra, da nova tensão com o Irã, e também da Rússia, mas existe um problema estrutural para os fertilizantes. No início do ano, os preços já começavam a subir por várias razões, com a demanda forte da Índia, redução por parte da China dos fosafatados, e vários sites produtores destruídos. Ainda demoraríamos um bom tempo para reconstruir toda a infraestrutura para os fertilizantes, então este é um cenário bastante desafiador para o produtores, mas que impacta o mundo como um todo porque todo mundo precisa comer", afirma a especialista. 

Confira sua análise completa, com mais detalhes do estudo, no vídeo acima. 

Por: Carla Mendes | Instagram @jornalistacarlamendes
Fonte: Notícias Agrícolas

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