El Niño que está se formando agora pode antecipar uma virada de ciclo nas commodities agrícolas, mostra estudo do Grupo Ceres
O El Niño em formação - que ainda gera algumas divergências sobre sua intensidade e momentos de duração e atuação - deve trazer consequências severas para a agricultura global. Segundo Sara Frick Dare, head de Inteligência de Mercado Agro do Grupo Ceres, há mais de 90% de chance de ocorrência do fenômeno e 60% de probabilidade de ser um "Super El Niño", possivelmente o mais forte desde 1950, de acordo com um estudo recente divulgado pela empresa nos últimos dias. Baseado em eventos semelhantes passados (como as safras de 2009/10, 2015/16 e 2023/24), o estudo projeta impactos significativos na produtividade de diversas commodities, como soja, milho e trigo.
Confira o estudo completo:
O impacto não será uniforme ao redor do globo. Em um cenário de El Niño médio, por exemplo, o Brasil pode registrar apenas leves perdas na soja, enquanto EUA e Argentina poderiam aumentar sua produtividade. Contudo, se as previsões de um "Super El Niño" se confirmarem, o cenário muda drasticamente: a produção brasileira de soja poderia recuar cerca de 8% em relação à safra 2025/26, e a de milho poderia amargar uma queda de 10%. Culturas vitais, como o trigo, também estão seriamente ameaçadas em regiões produtoras chaves como Rússia, EUA e Índia, o que pode espremer os estoques globais e elevar os preços a patamares históricos.
Diante do cenário de margens já comprimidas, o agricultor e o pecuarista precisam de muita estratégia. Sarah adverte que os produtores de proteína animal, grandes consumidores de grãos, poderiam, por exemplo, antecipar a compra de milho para formar estoques antes que o fenômeno puxe as cotações para cima. Já para setores como o algodão e o açúcar, as perspectivas são mais otimistas: a produção de cana-de-açúcar no Brasil costuma ser beneficiada durante o El Niño, possibilitando ao produtor aproveitar eventuais altas de preço no mercado externo.
A orientação principal para a gestão rural nas próximas safras é "arrumar a casa" e blindar a lucratividade. O uso de ferramentas de proteção financeira, conhecidas como hedge, em momentos de pico nos preços internacionais é essencial A economista também ressalta a urgência da contratação de seguros agrícolas, sejam eles de produtividade ou paramétricos (baseados em índices climáticos), para garantir uma camada extra de segurança contra perdas abruptas, reduzindo o risco climático diante das oscilações da safra.
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