El Niño que está se formando agora pode antecipar uma virada de ciclo nas commodities agrícolas, mostra estudo do Grupo Ceres

Publicado em 29/07/2026 10:30 e atualizado em 29/07/2026 14:16
Trigo pode ser uma das culturas mais afetadas no cenário global. No milho, com estoques globais já mais ajustados, pode ter também reação considerável com menor produção, bem como no caso da soja. Atenção ao planejamento da próxima safra no Brasil é fundamental, considerando, inclusive, investimentos em seguro.
Sarah Dare - Economista & Especialista em Inteligência de Mercado para Agronegócio

O El Niño em formação - que ainda gera algumas divergências sobre sua intensidade e momentos de duração e atuação - deve trazer consequências severas para a agricultura global. Segundo Sara Frick Dare, head de Inteligência de Mercado Agro do Grupo Ceres, há mais de 90% de chance de ocorrência do fenômeno e 60% de probabilidade de ser um "Super El Niño", possivelmente o mais forte desde 1950, de acordo com um estudo recente divulgado pela empresa nos últimos dias. Baseado em eventos semelhantes passados (como as safras de 2009/10, 2015/16 e 2023/24), o estudo projeta impactos significativos na produtividade de diversas commodities, como soja, milho e trigo.

Confira o estudo completo:

O impacto não será uniforme ao redor do globo. Em um cenário de El Niño médio, por exemplo, o Brasil pode registrar apenas leves perdas na soja, enquanto EUA e Argentina poderiam aumentar sua produtividade. Contudo, se as previsões de um "Super El Niño" se confirmarem, o cenário muda drasticamente: a produção brasileira de soja poderia recuar cerca de 8% em relação à safra 2025/26, e a de milho poderia amargar uma queda de 10%. Culturas vitais, como o trigo, também estão seriamente ameaçadas em regiões produtoras chaves como  Rússia, EUA e  Índia, o que pode espremer os estoques globais e elevar os preços a patamares históricos. 

Diante do cenário de margens já comprimidas, o agricultor e o pecuarista precisam de muita estratégia. Sarah adverte que os produtores de proteína animal, grandes consumidores de grãos, poderiam, por exemplo, antecipar a compra de milho para formar estoques antes que o fenômeno puxe as cotações para cima. Já para setores como o algodão e o açúcar, as perspectivas são mais otimistas: a produção de cana-de-açúcar no Brasil costuma ser beneficiada durante o El Niño, possibilitando ao produtor aproveitar eventuais altas de preço no mercado externo. 

A orientação principal para a gestão rural nas próximas safras é "arrumar a casa" e blindar a lucratividade. O uso de ferramentas de proteção financeira, conhecidas como hedge, em momentos de pico nos preços internacionais é essencial A economista também ressalta a urgência da contratação de seguros agrícolas, sejam eles de produtividade ou paramétricos (baseados em índices climáticos), para garantir uma camada extra de segurança contra perdas abruptas, reduzindo o risco climático diante das oscilações da safra.

Veja sua análise completa no vídeo acima. 

Por: Carla Mendes | Instagram @jornalistacarlamendes
Fonte: Notícias Agrícolas

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