Com produção da safrinha já precificada pelo mercado, preço do milho sobe no Brasil empurrado pela demanda interna e externa
Mesmo com o avanço da colheita da segunda safra, os preços do milho encontraram sustentação no mercado brasileiro ao longo de julho. Segundo Enilson Nogueira, consultor da Céleres Consultoria, o mercado já precificou a produção da safrinha e passou a direcionar sua atenção para o fortalecimento da demanda interna e das exportações.
De acordo com o consultor, a safra brasileira será suficiente para atender o consumo interno e garantir embarques ao mercado externo, mas problemas pontuais de produtividade impediram uma produção ainda maior. Agora, fatores como o mercado climático nos Estados Unidos e o crescimento do consumo doméstico ganham peso na formação dos preços.
A expectativa da Céleres é de aumento no consumo de milho pela indústria de rações e, principalmente, pelo setor de etanol de milho, reduzindo os estoques finais do ciclo 2025/26 e dando suporte às cotações ao longo do segundo semestre.
No mercado externo, Nogueira projeta exportações entre 35 milhões e 38 milhões de toneladas. Apesar da concorrência do milho norte-americano e argentino, conflitos entre Rússia e Ucrânia e problemas climáticos na Europa podem abrir espaço para um desempenho melhor do milho brasileiro na segunda metade do ano.
Para o consultor, o produtor deve encontrar oportunidades de comercialização ao longo do restante do ano. Embora agosto e setembro ainda possam registrar pressão sazonal, a tendência é de preços mais sustentados no último trimestre, impulsionados pela demanda interna.
Pensando na safra 2026/27, a Céleres avalia que o milho verão pode recuperar área em algumas regiões do Sul e Sudeste. Mesmo com custos de produção mais elevados, a cultura pode apresentar rentabilidade superior à soja em determinadas praças, favorecendo um aumento da área plantada no próximo ciclo.