Ainda atrasado, plantio da soja deve começar a ganhar ritmo nessa semana no Mato Grosso
Ainda atrasado, plantio da soja deve começar a ganhar ritmo nessa semana no Mato Grosso
O plantio da soja 2026/27 começou mais lento em Mato Grosso, mas o retorno das chuvas deve permitir uma recuperação no ritmo dos trabalhos nas próximas semanas. A atenção dos produtores, porém, já começa a se voltar para os possíveis impactos desse calendário sobre a implantação do milho e do algodão de segunda safra.
Em entrevista ao Notícias Agrícolas, Milena Bezerra, analista de agricultura do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), destacou que a semeadura da soja chegou a 10% da área, abaixo do ritmo da temporada passada, da média dos últimos cinco anos e também do observado no mesmo período de 2023/24, último ciclo marcado por um El Niño forte.
Segundo a analista, o início mais lento reflete a cautela dos produtores diante da menor disponibilidade de umidade no solo. Casos de plantio no pó ou em condições de umidade mais baixa foram pontuais, enquanto a maior parte dos agricultores aguardou condições mais favoráveis para avançar com os trabalhos.
Com o retorno das precipitações e a melhora da umidade do solo, a expectativa é de aceleração do plantio nas próximas semanas. Ainda assim, o clima deve permanecer como um dos principais pontos de atenção durante toda a temporada, especialmente diante da possibilidade de temperaturas mais elevadas e ocorrência de veranicos em novembro e dezembro.
O Imea trabalha atualmente com produtividade de 62 sacas por hectare para a soja mato-grossense, quase quatro sacas abaixo dos níveis registrados nos dois últimos ciclos, considerados excepcionais pela analista. A estimativa, entretanto, ainda poderá ser revisada conforme os impactos das condições climáticas sobre as fases de florescimento e enchimento de grãos se tornem mais claros.
Segunda safra depende das próximas semanas
Apesar do atraso inicial, o Imea considera prematuro determinar impactos sobre a janela da segunda safra. Com cerca de 90% da soja ainda por semear, o ritmo dos trabalhos nas próximas semanas será determinante para definir quanto desse atraso poderá ser recuperado.
Milena ponderou ainda que o calendário de plantio não é o único fator de risco. As condições climáticas ao longo do desenvolvimento da soja podem provocar um alongamento do ciclo da cultura e, consequentemente, levar uma parcela maior do milho para fora da janela considerada ideal.
Esse cenário também pode influenciar a decisão sobre quais culturas serão implantadas na segunda safra. O Imea já observa maior competição do milho com alternativas como gergelim, sorgo e plantas de cobertura em Mato Grosso. Caso o risco para o milho aumente com o estreitamento da janela, produtores podem optar por outras culturas.
Para o Imea, portanto, as próximas semanas serão decisivas não apenas para a recuperação do ritmo de semeadura da soja, mas também para determinar as condições em que milho e algodão poderão ser implantados na sequência da temporada.