Bom Dia Agro - Soja e farelo recuam em Chicago; café ainda sobe em NY; milho tem negócios travados no BR

Publicado em 13/10/2026 09:09 e atualizado em 13/10/2026 12:24
Com a participação do estrategista sênior de agricultura da Marex e analista de mercado da Agrinvest Commodities, Eduardo Vanin.
Bom dia Agronegócio - com Carla Mendes

A abertura das negociações desta terça-feira no mercado internacional de commodities agrícolas foi marcada por movimentos de realização e ajustes de posições. Em Chicago, o milho e o complexo soja operaram em campo negativo, refletindo o avanço da colheita nos Estados Unidos e as incertezas quanto à demanda global. Para detalhar o cenário, o analista de mercado e estrategista sênior de commodities da Marex e Agrinvest, Eduardo Vanin, avaliou os principais vetores de formação de preços no Bom Dia Agronegócio.

Milho: EUA perdem competitividade e Chicago acumula perdas

Desde o pico registrado em setembro, as cotações do milho na Bolsa de Chicago (CBOT) acumulam uma retração próxima a 70 centavos de dólar por bushel, o que representa uma desvalorização de cerca de 12%. Segundo Eduardo Vanin, essa trajetória reflete diretamente a incapacidade do produto norte-americano de competir com as origens da América do Sul.

Mesmo com a redução tarifária chinesa sobre os grãos dos EUA — que passou de 15% para 1% —, as cotas de importação da China não foram ampliadas, exigindo que o milho norte-americano se mostre mais barato que o sul-americano para viabilizar negócios. Além disso, o programa de exportações dos Estados Unidos segue cerca de 10 milhões de toneladas atrasado em relação ao ano anterior, contrariando a elevação recente nas estimativas de exportação divulgadas pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA).

"O milho americano não ganha nenhum tender recente na Ásia. Nesta semana, a Coreia do Sul realizou compras e, novamente, o milho brasileiro venceu a disputa", destacou Vanin, ressaltando que portos do Pacífico (PNW) norte-americano têm perdido espaço contínuo para embarques do Brasil e da Argentina.

Balanço desafiador para as exportações brasileiras

No cenário doméstico brasileiro, o ritmo dos embarques externos também exige atenção. O programa acumulado de exportação entre julho e outubro apresenta uma defasagem de aproximadamente 6 milhões de toneladas em comparação ao mesmo período do ciclo passado.

Para alcançar a meta projetada de 38 milhões de toneladas exportadas na temporada, Vanin calcula que o Brasil precisará embarcar volumes expressivos nos próximos meses: cerca de 6 milhões de toneladas em novembro, 6 milhões em dezembro e 5 milhões em janeiro. Trata-se de um ritmo histórico e desafiador, especialmente diante do arrefecimento nas compras e da forte volatilidade cambial.

Outro ponto crítico levantado é a perda de liquidez no interior, com destaque para Goiás. A região de Rio Verde, que chegou a registrar negócios a R$ 68,00 por saca para entrega na indústria, viu as cotações recuarem para a faixa de R$ 58,00 FOB devido ao cancelamento e à diminuição de compromissos logísticos de exportadoras. O analista também lembrou que o término dos créditos tributários de PIS/Cofins previsto para janeiro tem pressionado produtores a antecipar vendas para evitar custos adicionais.

Complexo Soja: Farelo sofre ajuste e óleo encontra suporte

Enquanto o grão de soja opera pressionado pela sazonalidade da colheita americana, os subprodutos apresentaram comportamentos divergentes. O farelo de soja registrou quedas próximas a 2% em Chicago, impactado pela liquidação de posições de fundos de investimento diante do aumento da oferta decorrente do processamento nos EUA.

Em contrapartida, o óleo de soja manteve trajetória de ganhos, impulsionado por compras especulativas atreladas a discussões sobre mandatos de biocombustíveis e isenções regulatórias da Agência de Proteção Ambiental dos EUA (EPA).

Conclusão e perspectivas

O atual cenário exige cautela redobrada do produtor brasileiro na gestão de estoques e na comercialização do milho remanescente. Com o aumento projetado na área da safra de verão no Sul, consumo interno comedido no setor de rações e um mercado de exportação dependente de janelas logísticas apertadas, carregar posições físicas para 2027 pode trazer riscos adicionais de desvalorização.

* Com auxílio de IA

Fonte: Notícias Agrícolas

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