Bom Dia Agro - Volatilidade em Chicago: colheita de soja e milho avança nos EUA por um lado e demanda segue firme por outro
Bom Dia Agro - Colheita de soja e milho avança nos EUA por um lado e demanda segue firme por outro
A volta do feriado e a retomada das atividades comerciais no agronegócio brasileiro ocorrem sob forte volatilidade nos mercados internacionais e dados cruciais sobre oferta e demanda global. Enquanto a praça brasileira esteve fechada, as cotações nas bolsas externas registraram movimentações expressivas que agora direcionam o ritmo das negociações domésticas, combinando o avanço acelerado da colheita nos Estados Unidos com a influência cambial sobre os preços no Brasil.
Colheita e demanda nos Estados Unidos ditam rumos em Chicago
Na Bolsa de Chicago (CBOT), o início da sessão desta terça-feira foi marcado pela recuperação técnica da soja, que avança moderadamente após recuar mais de 1% no pregão anterior. Os contratos para entrega em novembro sobem mais de 5 pontos, enquanto os vencimentos de 2027 oscilam com ganhos de 1 a 2 pontos. Já o milho e o trigo abriram com leves baixas, operando entre 1 e 1,5 ponto negativo para o milho e perdas de até 1,75 ponto para o trigo.
As oscilações refletem o último relatório de acompanhamento de safras do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA). Os dados indicam que a colheita de soja norte-americana atingiu 88% da área cultivada, superando a média histórica e os 79% registrados na semana anterior. Para o milho, os trabalhos avançaram 14 pontos percentuais na semana, alcançando 74%, mas ainda se mantêm ligeiramente atrás da média histórica de 77%.
Pelo lado da demanda internacional, o USDA registrou inspeções semanais de exportação de soja superiores a 2,44 milhões de toneladas — volume quase 150% maior que o registrado no mesmo período do ano anterior. No milho, as inspeções cresceram 38% na comparação semanal. Além disso, foram confirmadas vendas adicionais de 1,7 milhão de toneladas de milho para o México e 136 mil toneladas de soja para a China. Em contrapartida, o processamento doméstico nos Estados Unidos trouxe moderação: o esmagamento de soja recuou 5% em setembro, e o consumo de milho destinado à produção de etanol caiu 9% no mesmo mês.
Mercado interno: Câmbio valoriza grãos, mas negociações seguem cadenciadas
No cenário nacional, o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) apontou que a valorização recente do dólar frente ao real devolveu atratividade à soja brasileira no mercado externo. Esse fator estimulou o interesse comprador e elevou os preços no mercado físico aos patamares do início de outubro. Os prêmios de exportação do óleo de soja também registraram os maiores níveis desde março, sustentados pela demanda aquecida.
Contudo, tanto para a soja quanto para o milho, o ritmo dos negócios a termo para 2027 permanece lento. Produtores e cooperativas mantêm postura de cautela frente às incertezas relativas ao custo do frete rodoviário, à escalada do óleo diesel e às indefinições da reforma tributária. No milho, embora as cotações no disponível tenham reagido com o apoio das praças portuárias, a liquidez segue restrita.
Para o setor industrial de etanol de milho, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) projeta um salto de mais de 6,5% no consumo interno do cereal. No entanto, analistas de mercado alertam que grande parte das indústrias está abastecida e os estoques em mãos de produtores ainda são elevados, o que pode conter recuperações mais expressivas de preços no início do próximo ano.
Feijão e mandioca sobem por restrição de oferta
Entre outras commodities de consumo doméstico, o Cepea destacou novas máximas para o feijão preto, que encerrou o último mês em alta pelo terceiro período consecutivo, atingindo o maior patamar nominal em dois anos. A redução da oferta na entressafra e as chuvas no sudoeste paulista e no Paraná têm dificultado a colheita e prejudicado lavouras.
Na cadeia da mandioca, a oferta restrita da raiz garantiu o quarto mês consecutivo de valorização. Embora as condições de campo tenham melhorado, a disponibilidade de matéria-prima permaneceu aquém da capacidade das fecularias e farinheiras, sustentando os preços dos derivados.
Mercados internacionais: Café reage, petróleo se estabiliza e açúcar despenca com a Índia
Na Bolsa de Nova York (ICE Futures), os preços do café arábica mantiveram a trajetória de recuperação iniciada em outubro, amparados pelo baixo nível dos estoques certificados e pela oferta restrita no curto prazo, apesar das atenções voltadas ao desenvolvimento das safras futuras no Brasil e no Vietnã.
Em direção oposta, o açúcar registrou forte desvalorização em Nova York, com perdas superiores a 3% em contratos de curto prazo. O principal vetor de pressão foi o anúncio de um salto de 745% na produção de açúcar da Índia durante o mês de outubro, totalizando 845 mil toneladas contra apenas 100 mil no mesmo período do ano anterior. O governo indiano antecipou a moagem no estado de Maharashtra e permitiu a importação isenta de tarifas para conter a escassez local, aliviando o equilíbrio global da commodity.
No setor de energia, o petróleo tipo Brent operava em alta de 1%, cotado a US$ 105 por barril, após registrar uma expressiva retração superior a 7% na sessão anterior. O ouro, por sua vez, registrou recuo de 1,5% nesta manhã.
Balanço de seis meses do acordo Mercosul-União Europeia
O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) divulgou o balanço dos primeiros seis meses de vigência provisória do acordo de parceria entre o Mercosul e a União Europeia. Entre maio e setembro, as exportações do agronegócio brasileiro para os 27 países do bloco europeu cresceram 14,8% em valor, superando a marca de US$ 12 bilhões, com embarque de 17,74 milhões de toneladas — alta de 8% em volume.
O complexo soja continuou na liderança das exportações bilaterais, com faturamento saltando de US$ 3 bilhões para US$ 4 bilhões no período (+34%). Outros segmentos também apresentaram salto relevante: os produtos apícolas cresceram 367%, as carnes avançaram 103% em receita e 170% em volume, e produtos florestais e frutas tiveram incremento de 23% e 15%, respectivamente.
Sobre o desempenho, o ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula, ressaltou a competitividade brasileira frente às exigências externas:
"O crescimento expressivo e a diversidade das exportações para a União Europeia demonstram a competitividade do agronegócio brasileiro, a nossa disposição ao diálogo e a presença cada vez mais forte do setor produtivo no mercado internacional. O Brasil demonstra mais uma vez que sua competitividade se sustenta não apenas no volume que produz, mas sobretudo na qualidade, na segurança e no atendimento aos mais rigorosos padrões exigidos pelos mercados consumidores", afirmou o ministro.