Mercado tenta controlar preço do café, mas safra será menor

Publicado em 17/10/2018 17:35 e atualizado em 17/10/2018 18:18
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Dólar cai, preços sobem em NY, mas cotações do café ficam estáveis no Brasil. Carlos Paulino, da Cooxupé, diz que os compradores tentam, mas não conseguem dominar a próxima safra, que será de de bianualidade menor.
Carlos Paulino - Presidente Cooxupé

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Entrevista com Carlos Paulino - Presidente Cooxupé

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O Notícias Agrícolas conversou nesta quarta-feira (17) com Carlos Paulino, presidente da Cooxupé, a respeito dos últimos movimentos do dólar no Brasil e das altas para o café na Bolsa de Nova York (ICE Futures Group).

Paulino ressalta que "o café brasileiro é que determina o preço internacional". 35% da produção mundial está no país e este fator baliza Nova York. "A posição brasileira é a batuta que manda na orquestra", diz.

Sendo assim, existem perspectivas de uma produção mais baixa para o próximo ano. Além disso, 60% da safra atual já foi vendida. Se a produção for mais baixa de fato, deve faltar café no mercado.

O câmbio cai por efeito político. Paulino visualiza que o mercado está de olho na administração liberal prometida por Jair Bolsonaro, que lidera as pesquisas até o momento.

Portanto, o dia é de prestar atenção no mercado e vender aos poucos para evitar surpresas adiante.

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Dólar termina no menor nível em quase 5 meses, a R$3,68, com fluxo e otimismo com eleição

Por Claudia Violante

SÃO PAULO (Reuters) - O dólar recuou pela terceira sessão consecutiva e terminou no menor patamar em quase cinco meses, na casa de 3,68 reais, com fluxo de recursos influenciando a continuidade da trajetória dos dois últimos pregões, tendo como pano de fundo o otimismo com o desfecho doméstico eleitoral.

O dólar recuou 1,02 por cento, a 3,6822 reais na venda, menor patamar desde os 3,6683 reais de 25 de maio. Em três sessões, acumulou perda de 2,56 por cento.

Na mínima, a moeda marcou 3,6652 reais. O dólar futuro recuava cerca de 1,20 por cento.

"Tivemos zeragem de algumas posições compradas (que apostam na alta do dólar)... e o fluxo puxou a moeda para baixo", comentou a estrategista de câmbio do Banco Ourinvest, Fernanda Consorte.

O mercado doméstico, assim, passou a maior parte do dia na contramão do exterior, com os investidores ainda precificando o otimismo com o desfecho eleitoral no final do mês com a eleição de Jair Bolsonaro (PSL) para presidente.

"Acredito que a vitória de Bolsonaro já está no preço e que o piso está entre 3,65-3,70 reais. Não vejo fundamento hoje para o câmbio em 3,60-3,55 reais", emendou Fernanda ao acrescentar que uma queda adicional depende de novidades positivas do novo governo.

Para o diretor da consultoria de valores mobiliários Wagner Investimentos, José Faria Júnior, a moeda pode ir para os 3,50 reais "se ficar clara a aprovação de reformas".

O otimismo recente do mercado decorreu das pesquisas eleitorais que mostram Bolsonaro com ampla dianteira ante Fernando Haddad (PT).

Mesmo após declarações recentes não tão liberais quanto as ideias defendidas por seu assessor econômico Paulo Guedes, o mercado ainda prefere Bolsonaro, por considerar que o possível futuro ministro da área econômica conseguirá tirar do papel as esperadas reformas.

O mercado externo, nesta sessão, trouxe influência de alta para o dólar, mas ela não se sustentou. A moeda norte-americana subia ante a cesta de moedas e também ante algumas divisas de países emergentes, como o peso chileno, embora tivesse mostrado mais força ante elas mais cedo.

Os investidores aguardavam a ata do último encontro de política monetária do Federal Reserve, mas ela não chegou a influenciar o mercado por aqui.

O documento mostrou que todos os membros votantes da instituição apoiaram o aumento da taxa de juros no mês passado e que também concordaram que os custos de empréstimos devem subir mais.

Foi a terceira alta deste ano e a demonstração de unanimidade no encontro de 25 e 26 de setembro pode impulsionar as expectativas de que o comitê de definição dos juros do banco central vai aumentar os juros novamente em dezembro.

O Banco Central ofertou e vendeu integralmente nesta sessão 7,7 mil swaps cambiais tradicionais, equivalentes à venda futura de dólares. Desta forma, rolou 4,62 bilhões de dólares do total de 8,027 bilhões de dólares que vence em novembro.

Se mantiver essa oferta diária e vendê-la até o final do mês, terá feito a rolagem integral.

 

Dólar destoa do exterior e cai ecoando promessa de BC independente; Bolsa tem leve alta (no ESTADÃO)

O dólar perdeu força e passou a cair ante o real nesta quarta-feira, 17, destoando da persistente valorização da moeda americana no exterior e que conduziu o sinal positivo nos primeiros negócios locais.

A alta da chamada "prévia do PIB" (IBC-BR) de agosto e novas sinalizações do candidato à Presidência Jair Bolsonaro (PSL), favorito nas pesquisas, sobre reformas, privatizações e independência do Banco Central embalam a continuidade do movimento de desmontagem de posições cambiais compradas.  Por volta das 13h30, o dólar caía 1,41% e batia nova mínima, a R$ 3,6698. 

Sobre o câmbio, o diretor de uma corretora, que não quer ser identificado, diz que o mercado precifica a declaração do candidato Jair Bolsonaro em entrevista ao SBT na noite desta terça-feira, 16. O candidato disse que, caso saia vitorioso no segundo turno, o BC será independente de qualquer influencia política, afirma o executivo.

Ao SBT, Bolsonaro (PSL) não apresentou detalhes sobre seus planos para um eventual futuro governo. Ele ressaltou ainda que não apoia a reforma da Previdência proposta pelo governo de Michel Temer e que deve fazer a reforma dele dentro de determinados limites. Também disse que quer o setor privado em projetos de infraestrutura, que "partirá para privatizações" e negou mais uma vez que aumentará impostos.

​Bolsa 

Já a Bolsa iniciou a tarde oscilando com sinal levemente positivo ao redor do fechamento de ontem, depois de passar toda manhã em queda. Às 13h, o Ibovespa subia 0,42%, aos 86.080 pontos.

O recuo observado na maior parte da manhã foi um ajuste para baixo após a alta ontem (+2,83%). Tem como justificativas o exterior negativo para ativos de risco – enquanto o mercado global aguarda a ata sobre política monetária do Federal Reserve – e notícias domésticas ruins sobre privatizações, sobretudo da Eletrobrás. Ontem, o Senado rejeitou projeto que destravaria a venda de distribuidoras da elétrica federal

A depreciação do Ibovespa é limitada por dois motivos domésticos, segundo analistas. O primeiro é o bom resultado do IBC-Br em agosto, segundo o analista da corretora Socopa Nicolas Takeo. O segundo motivo é a redução da volatilidade com a incerteza reduzindo-se sobre o quadro eleitoral após o primeiro turno e dada a proximidade do segundo turno eleitoral. Faltam apenas sete pregões para o fim da disputa presidencial.

 

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Por: João Batista Olivi
Fonte: Notícias Agrícolas

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