No curto prazo, mercado cafeeiro não terá problemas com abastecimento, diz analista

Publicado em 29/07/2025 16:42 e atualizado em 29/07/2025 17:37
Preços futuros devem subir caso quebra da safra brasileira de 2025 seja maior que esperada
Marcelo Moreira - Analista de Mercado e Colaborador na Archer Consulting

Os preços do café encerram a sessão desta terça-feira (29) com baixas nas bolsas internacionais. Segundo o Barchart, os preços recuaram  hoje com a aceleração da colheita de café no Brasil, aumentando a oferta disponível.

A Cooxupé anunciou que a colheita entre seus associados estava 67% concluída em 25 de julho. E a consultoria Safras & Mercado informou na última sexta-feira (25) que a colheita total do Brasil para a safra 2025/26 estava 84% concluída em 23 de julho.

Para o analista de mercado da Archer Consulting, Marcelo Moreira, o rendimento da safra do robusta está dentro do esperado, e até um pouco melhor em algumas regiões do Brasil, porém,  para o arábica a situação ainda é uma incógnita, e alguns produtores relatam quebra de 10%, 15%, 20%, já outros estão tendo rendimento acima do esperado.Com a entrada da nova safra, no curto prazo o mercado cafeeiro não terá problema de desabastecimento de agora até dezembro. 

Ainda de acordo com o analista, mercado também segue preocupado sobre como ficará a taxação de 50% ao Brasil, imposta por Donald Trump (que entrará em vigor na próxima sexta-feira (01)). Na visão de Moreira, os Estados Unidos vão continuar comprando café brasileiro, mas a questão agora  e sobre qual a variedade o país irá importar. 

Em NY, o arábica encerra o dia com baixa de 520 pontos no valor 296,50 cents/lbp no vencimento de setembro/25, uma perda de 490 pontos negociado por 289,75 cents/lbp no de dezembro/25, e uma queda de 470 pontos no valor de 283,35 cents/lbp no de março/26.

Já o robsuta registra o recuo de US$ 13 no valor de US$ 3,345/tonelada no contrato de setembro/25, uma baixa de US$ 18 cotado por US$ 3,290/tonelada no de novembro/25, e uma desvalorização de US$ 26 no valor de US$ 3,251/tonelada de março/26.

O INPE e o CPTEC (Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos) emitiram um alerta de geada para a madrugada do dia 30 de julho, nas regiões cafeeiras de Sul de MG, São Paulo e Paraná. 

Mercado Interno

Moreira comenta que no mercado físico brasileiro, o produtor que está acreditando que realmente a safra quebrou demais, que acredita que a safra ficará em 50 milhões de sacas, está segurando o café, e aquela que está estimando uma safra de 60, 65 milhões está vendendo. O analista orienta que no cenário atual de muitas incertezas, o melhor a fazer é criar ferramentas de hedge.

Nas áreas monitoradas pelo Notícias Agrícolas, o Café Arábica Tipo 6 fecha o pragão com baixa de 1,59% em Campos Gerais/MG e Franca/SP no valor de R$ 1.890,00/saca e R$ 1.860,00/saca, e uma queda de 1,61% em Guaxupé/MG negociado por R$ 1.831,00/saca. O Cereja Descascado registra o recuo de 1,52% em Varginha/MG no valor de R$ 1.940,00/saca, e um recuo de 0,44% em Poços de Caldas/MG no valor de R$ 2.240,00/saca. 

 

Por: Raphaela Ribeiro
Fonte: Notícias Agrícolas

NOTÍCIAS RELACIONADAS

Café fecha em queda nas bolsas nesta 4ª feira com avanço da colheita no Brasil pressionando as cotações
Café abre em direções opostas com mercado atento ao clima e ao ritmo da colheita no Brasil
Colheita de café na área de atuação da Cooxupé alcança 47,3%
Café/Cepea: Embarques recuam na safra 2025/26, mas receita fica estável
Café perde força no fim do pregão e fecha no vermelho após mercado virar com melhora no clima
Cafeicultura movimenta mais de R$ 3 bilhões em defensivos na safra 2025-26, com alta de 22% e recorde histórico