Carnes: Com embargos de alguns países, exportações de frangos e suínos podem ser atingidas em março

Publicado em 20/03/2017 17:15 e atualizado em 20/03/2017 17:49
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Medidas ainda são temporárias, mas podem gerar excedente de oferta no mercado doméstico e possível pressão sobre os preços das carnes. Setor ainda acompanha as informações divulgadas e momento é de cautela. Em fevereiro, exportações de frango do país bateram recorde.
Confira a entrevista de Douglas Coelho - Analista Radar Investimentos - São Paulo-SP

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Douglas Coelho, analista de mercado da Radar Investimentos, analisa que a operação Carne Fraca, da Polícia Federal, ainda está no início das investigações, com algumas notícias oficiais aparecendo pouco a pouco por parte das empresas e do governo. Por outro lado, a China paralisou temporariamente a entrada do produto brasileiro em seu mercado, movimento que também deve ser seguido pela América do Sul.

Para Coelho, este movimento está ligado mais a um reforço da inspeção do que algum rompimento oficial por parte desses países. É possível que essas paralisações afetem o desempenho das exportações de março, principalmente da China, que representou, nos dois primeiros meses do ano, 16,9% das exportações de aves, 32,3% de carne suína e 35,8% de carne bovina provenientes do Brasil.

Um movimento natural pode ocorrer de forma a haver uma pressão sobre os preços. "Seria difícil acreditar que algum excedente da produção fosse absorvido de forma rápida pela população", aponta Coelho.

O ritmo dos embarques em março poderão ter variação brusca em relação às três primeiras semanas do mês. Até então, o desempenho das carnes de aves estavam 1,1% abaixo de fevereiro e 19,1% abaixo de março de 2016. Suínos, por sua vez, estavam 15,5% acima de fevereiro e 9,4% abaixo de março de 2016.

A veiculação das informações para a população "tornou uma proporção muito grande" em relação a casos particulares ocorridos. "É muito mais uma questão ligada à corrupção ativa do que uma questão de sanidade. Os produtos em si, a gente pode acreditar no potencial e na qualidade da produção brasileira. São anos e uma gama de pessoas que lutaram para manter a imagem do setor", aponta o analista, lembrando a liberação por parte do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), que é altamente rigoroso, para a carne bovina brasileira.

Para os produtores, o momento é de "cautela, mas não de pânico", já que ainda existem vários desdobramentos e quantidade de informações oficiais ainda é pequena.

Por: Fernanda Custódio e Izadora Pimenta
Fonte: Notícias Agrícolas

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