DA REDAÇÃO: Na contramão da tendência altista, baixa demanda por algodão derruba preços no mercado internacional
Nem mesmo o reporte pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA, na sigla em inglês) de redução em 11% na área plantada com algodão e a diminuição em 16,7% no plantio da China são suficiente para mudar o cenário pessimista da fibra na Bolsa de Nova York. Contrariando a tendência altista para os preços, uma demanda desaquecida enfraquece o mercado e preocupa o setor no médio e longo prazos.
Para o presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), Sérgio De Marco, a substituição do fio por matéria-prima sintética, mais barata, que está tirando a competitividade do mercado em âmbito internacional. No Brasil, também existe o reflexo desse baixo consumo das indústrias que deve adquirir apenas 700 mil toneladas da fibra, enquanto consumia cerca de um milhão de toneladas em 2011.
Diante dos maiores preços da soja e do milho nas bolsas internacional, não é difícil entender o porquê produtores estão diminuindo a área plantada. Essa melhor liquidez dos grãos, deverá reduzir também o plantio do Brasil na próxima temporada. Nesta safrinha, os cotonicultores começarão a colher em 70 dias a produção de dois milhões de toneladas estimados para o total plantado em 1,4 milhão de hectares.
Quanto aos preços e frente à este cenário de baixa demanda, De Marco projeta preços que fiquem entre US$ 0,90 e US$ 0,95 por libra-peso em Nova Iorque. Assim, na expectativa de uma boa colheita brasileira, o país precisa estimular as exportações no próximo ano, a fim de não causar maiores prejuízos aos produtores.
O presidente da Abrapa recomenda então aos brasileiros que trabalhem com cautela na preparação para a safra da próxima temporada e, para seguir a volatilidade das cotações internacionais, é preciso que o cotonicultor do Brasil participe do mercado futuro, travando negócios quando o mercado esboçar reação.
Já para mudar a tendência de menor consumo mundial, Sérgio De Marco acredita em um trabalho conjunto entre os maiores produtores de algodão do mundo para melhorar o marketing da fibra que é mais confortável do que o fio sintético.