DA REDAÇÃO: Soja encerra com perdas de mais de 20 pontos nos principais vencimentos
Publicado em 02/10/2012 17:34
e atualizado em 02/10/2012 19:10
Soja: mais um dia de queda em Chicago com perdas de quase 30 pontos nos primeiros vencimentos. Motivos técnicos continuam pressionando cotações e baixa vai além das expectativas
Os futuros da soja negociados na Bolsa de Chicago fecharam o pregão eletrônico com mais de vinte pontos de quedas nos principais vencimentos nesta terça-feira (2). Segundo o analista da Futures International, Pedro Dejneka, os motivos técnicos continuam pressionando as cotações e baixas vão além das expectativas.
“Já tínhamos anunciado os baixos, teríamos uma pressão sazonal em função da colheita nos EUA, mas a pressão é maior do que esperávamos, mas ao mesmo tempo é o que acontece quando tem fundos muito comprados no mercado”, afirmou Dejneka.
Outros fatores também contribuem para esse cenário pressionado, como é ocaso dos relatos de melhorias na produtividade da soja em função das chuvas registradas no final de agosto. Do mesmo modo o relatório do USDA, divulgado na última sexta-feira, que adicionou cerca de 1 milhão de toneladas nos estoques da oleaginosa colaboram para essa queda.
“E é claro temos uma pressão técnica, e enquanto mais os fundos vendem atraem mais vendas, o que complica a situação. Nada no mercado é realmente impossível, a situação fundamental do mercado não justifica uma queda desse tamanho”, explicou o analista.
O feriado na China colabora para essa pressão, o país está fora das negociações na bolsa durante essa semana. Não existem notícias de procura por soja por parte dos chineses, o que também contribui para o nervosismo do mercado, conforme diz Dejneka.
O analista sinaliza que as vendas no mercado são técnicas e eventualmente os fundamentos são capazes de recuperar as cotações. No entanto, é difícil saber quando esse movimento possa acontecer, pode ser essa semana ou na próxima.
“Essa semana tinha a expectativa de que os fundos voltassem ao mercado comprando, porque é inicio de trimestre, mas isso não aconteceu ainda. Os gráficos, os pontos técnicos, a pressão técnica influencia o mercado no curto prazo, principalmente, quando tem envolvimento dos fundos com posições tão compradas”, argumenta o analista.
Em decorrência desse cenário, a expectativa é que os fundamentos prevaleçam e haja uma recuperação no mercado. Esse movimento pode acontecer na próxima semana, com a divulgação do relatório do USDA, que irá apontar uma melhora na produtividade da oleaginosa.
“Acho que a partir de agora, de meados de outubro e até o final do ano, eu acho que o mercado não tem escolha a não ser tentar recuperar, pois ainda precisamos racionar a demanda. E também irá faltar soja no mercado”, acredita Dejneka.
E caso a produção da América do Sul registre qualquer problema referente ao clima, as cotações podem voltar para os patamares de US$ 16 e US$ 17 por bushel para tentar racionar a demanda, caso contrário os preços devem chegar a US$ 17 ou até US$ 18 por bushel.
“A recuperação pode acontecer antes do relatório, mas no curto prazo de agora até o relatório o mercado é extremamente técnico de olho no gráfico e para que não tenhamos maiores perdas esse nível de US$ 15,26 por bushel no contrato novembro precisa ser mantido”, fala o analista.
Além disso, a rolagem de posições de fundos fora do contrato de novembro/12 para vencimentos de 2013, também contribui para esse cenário baixista. Muitas pessoas estão tentando se antecipar essa rolagem e sair do contrato novembro, que vence daqui a alguns dias, como sinaliza Dejneka.
Já o milho, fechou o pregão com pequenas perdas, perto da estabilidade. “O milho recebeu uma virada nas expectativas, o mercado esperava que os estoques do milho seriam maiores em função da quantidade do cereal que foi colhido antecipadamente, mas isso não aconteceu”, explanou o analista.
Devido a essa situação, o mercado entende que o USDA estimou acima da realidade a safra do ano passado e mostrou que os estoques estão abaixo do que era esperado pelo mercado, indicando que a situação do cereal é complicada.
Fonte:
Notícias Agrícolas