DA REDAÇÃO: Avanço na colheita norte-americana pressiona cotações da soja em Chicago

Publicado em 08/10/2012 14:06 e atualizado em 08/10/2012 16:55
Grãos: Avanço da colheita nos EUA e aumento dos índices de produtividade puxam cotações para o negativo. Diminuição no crescimento da China impacta mercado, mas em menores proporções. Ao fim da colheita, cerca de 90% da safra norte americana deve estar comercializada. Cenário pode trazer novas altas até janeiro/13.
Os futuros da soja negociados na Bolsa de Chicago operam em queda nesta segunda-feira (8). De acordo com o analista de mercado, Vlamir Brandalizze, o principal fator que contribui para esse cenário pressionado é o avanço na colheita norte-americana. 
Além disso, os números de produtividade tanto para soja como para milho um pouco acima do esperado pelo mercado, igualmente colabora para esse quadro. E a notícia da diminuição no crescimento da China de 7,6% para 7,2%, também impacta o mercado, mas em menores proporções. 
“A notícia de redução do crescimento econômico da China entra como segundo fator, basicamente para investidores a curto prazo. No momento o fator da colheita limita e empurra as cotações da soja para baixo”, ratificou o Brandalizze. Já a médio prazo, a tendência é que as cotações registre novas altas, uma vez que com o fechamento da colheita o mercado passa a observar o volume de soja a ser comercializado. E como nos EUA esse nível é baixo, cerca de 90% da safra já está negociada, o mercado terá pouca oleaginosa disponível para ser vendida até a entrada da safra sul-americana. Em decorrência dessa situação, a perspectiva é que o mercado reverta essa pressão baixista e comece a olhar para cima. O analista sinaliza que, existe a possibilidade de ter bons momentos nos próximos meses, para os produtores comercializarem, haja vista a redução da oferta devido à falta de soja nos EUA e os fatores climáticos na América do Sul, que geralmente podem ocasionar uma pressão altista no mercado. E caso aconteça algum problema climático na Argentina, as cotações podem retornar para o patamar de US$ 18 por bushel, e esse movimento pode acontecer antes da virada do ano, conforme explicou analista. “Com isso, os produtores ainda terão boas oportunidades para fechar parte da soja que eles têm disponível da safra nova, antes da virada do ano, pois existem muitos comentários de que a China irá reduzir a demanda, mas isso não acontece, o país entrou no mercado e comprou cerca de 1, 300 milhões de toneladas de soja dos EUA”, afirma Brandalizze. Ainda na visão do analista, a demanda chinesa deve permanecer aquecida, o que deve manter as cotações lucrativas para os produtores brasileiros. “Mesmo com essa redução, o consumo chinês por soja e milho não devem ser afetados, uma vez que os estoques do país de alimentos estão em queda, então precisam manter as compras fortes para não ter mais problemas com inflação interna”, disse Brandalizze. Na próxima quinta-feira (11), também será divulgado o relatório de oferta e demanda do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), que poderá apontar um aumento na média de produtividade para o milho. No caso da soja, o relatório deve indicar um aumento na produção de cerca de 3 ou 4 milhões de toneladas acima do esperado pelo mercado. “Então o mercado nas duas últimas semanas já absorveu e já recuou as cotações para dentro dos novos patamares que o relatório deve apresentar, então não deve apresentar novidades importantes”, acredita Brandalizze. Devido a esse quadro, a tendência é que o mercado tenha fôlego para voltar para os patamares de US$ 17 por bushel para a soja e o milho deve ultrapassar os US$ 8 por bushel, de acordo com o analista.
Por: Kellen Severo e
Fonte: Notícias Agrícolas

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