DA REDAÇÃO: Relatório do USDA e de exportações dos EUA pressionam cotações da soja na CBOT
Publicado em 09/11/2012 12:51
e atualizado em 09/11/2012 16:43
Grãos: relatório do USDA aumenta a produção de soja e milho nos EUA, o que contribui para pressionar as cotações em Chicago nesta sexta-feira (09). Do mesmo modo, números de exportações do país abaixo do esperado pelo mercado também colabora para o cenário baixista.
O relatório do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) divulgou nesta sexta-feira mais um relatório de oferta e demanda, no qual aumentou a produção de soja nos EUA para 80,66 milhões de toneladas. No último levantamento, o órgão estimou a produção média em 78,68 milhões de toneladas.
Da mesma forma, o departamento elevou a produtividade na soja em 44,57 sacas por hectare, contra as 42,87 sacas projetadas em no mês de outubro. A divulgação do relatório contribuiu para as expressivas baixas nos contratos futuros da oleaginosa na Bolsa de Chicago.
Os principais vencimentos da soja operam com queda de mais 40 pontos. Mas, segundo o analista da Futures International, Pedro Dejneka, o relatório de exportações do EUA, anunciado ontem (08), abaixo do esperado pelo mercado também colaborou para o cenário baixista.
“O cancelamento de mais de 500 mil toneladas de soja norte-americana, realmente pegou o mercado de surpresa. A preocupação dos traders é a seguinte se os números de ontem significam uma anomalia ou uma nova tendência de redução na demanda e não vamos saber isso nas próximas semanas”, diz Dejneka.
Além disso, o mercado já tinha precificado boa parte desse relatório baixista, por isso as cotações registraram queda nos últimos dias. Diante desse quadro, o analista orienta que os produtores que ainda não travou pelo menos 50% da safra, aproveitem os preços para vender aos poucos, e o importante não é pegar os picos de preço e sim fazer uma boa média para a safra.
“O mercado está complicado agora, a não ser que tenhamos uma retomada dos níveis de demanda que estávamos tendo nos últimos 2 meses. Se os dados de ontem forem uma anomalia a demanda irá sustentar o mercado, mas se indicarem uma tendência de recuo na demanda e agora iremos preencher essa lacuna até fevereiro sem maiores problemas o mercado pode de pouco em pouco trabalhando as suas cotações para baixo”, acredita Dejneka.
Ainda na visão do analista, o que pode trazer um novo repique nos preços é a revisão de números de produção na América do Sul em função do clima. E com os dados de ontem de exportação dos EUA e o relatório do USDA o mercado está em uma tendência de baixa, precisando de demanda ou problemas climáticos no hemisfério sul, para que haja um repique de preços, conforme explicou Dejneka.
“Não acho que o mercado vai simplesmente despencar, de pouco em pouco trabalharemos as cotações para baixo. A demanda permanece aquecida no mercado, e grande questão é saber a que nível a China vai continuar importando soja”, finalizou o analista.
Por:
Kellen Severo
e
Fernanda Custódio
Fonte:
Notícias Agrícolas