DA REDAÇÃO: Adversidade climática e infraestrutura são os principais problemas da atual safra de grãos
Apesar de mercado internacional apontar para uma tendência favorável para os preços futuros após os Estados Unidos, maior produtor de milho no mundo, registrar perdas por conta de uma severa estiagem, o Brasil, como importante player do mercado, tem registrado problemas também em produção quanto em infraestrutura.
As chuvas desregulares no Centro-Oeste brasileiro atrasou o início do plantio da safra de soja. No oeste do Estado, as lavouras ainda estão em fase de germinação, enquanto no mesmo período do ano passado, as plantas de soja já estavam em fase de florescimento. Outro agravante provocado pelo clima já resulta na necessidade de replantio de muitas áreas.
A situação está bem parecida também na região leste mato-grossense. Assim, a soja que seria colhida em meados de fevereiro, está prevista para entrar no mercado apenas no começo de março, fortalecendo uma possível alta no mercado, já que a relação entre oferta e demanda mundial está cada vez mais apertada.
O consultor de mercado Vlamir Brandalizze estima que mais de 300 mil quilos de soja já foram comprometidas com a adversidade climática no Estado, além de comprometer também o início do plantio do milho safrinha.
Outro problema preocupante para o setor se volta para o registro de congestionamento de milho nos portos brasileiros, atrasando assim os embarques para países asiáticos. De acordo com a consultoria russa APK, os operadores de mercado asiático têm procurado milho norte-americano para cobrir as entregas. Segundo a APK, os atrasos teriam ocorrido em negócios com Taiwan (420 mil toneladas), resultando também na compra de 900 mil toneladas de milho americano pelo Japão de forma emergencial.
Este antigo gargalo logístico pode prejudicar ainda mais o Brasil neste importante momento que o cenário internacional está proporcionando para o produto brasileiro. Brandalizze afirma que os embarques estão paralisados no Porto de Paranaguá, no Paraná, por conta de chuvas.
As exportações do milho brasileiro devem se manter elevadas até março do próximo ano. Últimas estimativas da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) apontam que embarques do cereal podem chegar a 19 milhões de toneladas até junho de 2013.