DA REDAÇÃO: Ainda focado no clima na América do Sul, soja opera com alta de dois dígitos na CBOT
Publicado em 04/02/2013 13:35
e atualizado em 04/02/2013 15:52
Soja registra forte alta na Bolsa de Chicago nesta segunda-feira (4). Fim de semana foi de tempo quente e seco na Argentina e previsão é de que para os próximos dias ainda não sejam registradas boas chuvas. Foco do mercado segue no clima da América do Sul.
Nesta segunda-feira (04) os futuros da soja negociados na Bolsa de Chicago operam com dois dígitos de alta. O foco do mercado de commodities agrícolas segue no clima na América do Sul. Segundo o analista de mercado, da Safras & Mercado, Flávio França, a variável que tem sustentado as cotações futuras nos últimos dias é a preocupação com a safra argentina que sofre com as altas temperaturas e a ausência de chuvas.
A previsão é de que haveria chuvas no final de semana na Argentina, no entanto, as precipitações foram baixas, em torno de 3 a 19 mm, e não amenizaram o stress hídrico das lavouras do país. E nos próximos, a expectativa é de que não haja grandes volumes de chuvas.
“A cada dia que passa o potencial de perdas nas lavouras argentinas aumenta. Já no Brasil, tivemos chuvas na região sul do país, o que é uma boa notícia para a produção, principalmente, para as lavouras do Rio Grande do Sul que já começavam a sofrer com a falta de umidade”, ressalta o analista.
Já o excesso de chuvas no Mato Grosso que tem dificultado os trabalhos da colheita, também exerce pressão nos preços em Chicago. E na visão do analista, essa lentidão no processo de colheita da safra nova, pode ocasionar algumas pequenas perdas na produção de soja brasileira. Porém, a produção do Brasil deve ficar acima de 80 milhões de toneladas, conforme acredita o analista.
“Não conseguimos falar em grandes perdas no Brasil, o perigo maior está nas perdas volumosas na Argentina. Esta é questão central, o plantio argentino foi atrasado devido às chuvas constantes e agora faz mais de 20 dias que não há precipitações expressivas”, relata França.
Outro fator que também influenciar os preços na CBOT é questão logística no Brasil haja vista que pode atrasar a entrada efetiva da produção no mercado. Para o analista, pode ocorrer uma elevação de até 25% nos valores do frete no período da colheita, o que tende a diminuir a renda do produtor rural. Além disso, existe a expectativa de uma safra cheia no país, entretanto, as estruturas nos Portos se mantêm as mesmas.
“É inevitável que teremos problemas de congestionamento nos portos. E com o tempo mais seco e das chuvas abaixo do normal, muitas lavouras da região central do país amadureceram mais rápido do que o normal, tivemos antecipação da colheita em até 10 dias. Essa situação ajudou a concentrar a safra, agora vamos ter um volume de soja entrando no mês de fevereiro jamais visto na história”, diz França.
Fonte:
Notícias Agrícolas