DA REDAÇÃO: CBOT - Relatório do USDA é positivo para soja e milho no curto prazo
As projeções para a safra do Brasil e Argentina também foram mantidas em 83,5 milhões de toneladas e 51,5 milhões de toneladas, respectivamente. Para o consultor de mercado da Consultoria Agroeconômica, Carlos Cogo, os números estão equivocados e super estimados.
Por outro lado, os números do estoques finais mundiais de soja foram revisados para cima, passando de 60,21 milhões de toneladas para 62,6 milhões de toneladas. Cogo destaca que a manutenção do número é importante para as tranddings em Chicago, uma vez que com estoques apertados, preços firmes no mercado físico dos EUA e uma possível volta da demanda chinesa os preços futuros ficariam suportados por mais um tempo.
“No médio prazo, os números continuam sendo baixistas à medida que tem estoques mais confortáveis a nível global e algumas alterações na safra brasileira e argentina, ainda assim a produção sul-americana será 25% maior do no ano passado”, acredita Cogo. O consultor ainda orienta que os produtores que ainda tiverem soja disponível façam vendas parceladas.
No caso do milho, o departamento aumentou os estoques finais nos EUA para 19,23 milhões de toneladas. O consultor sinaliza que, mesmo o número sendo abaixo das expectativas dos investidores, o mercado pode entender como um fator positivo.
“Mas o mercado vai novamente reprisar o que houve em março e vai imaginas que com os estoques mais altos, uma demanda não tão forte, e oferta mais folgada, o cenário apontará para baixo. Até mesmo de forma mais intensa, quando o plantio da safra norte-americana começar a se desenvolver”, diz Cogo.
Ainda na visão do consultor, o relatório terá um impacto mais baixista sobre o milho do que na soja. Com reflexo desse cenário, os preços do cereal já estão mais baixos no Brasil, as ofertas de milho para hoje para entrega em julho e agosto, no médio norte de MT, estão na faixa de R$ 11,00 e R$ 11,50. No PR, as ofertas caíram para R$ 19,00, e os produtores não querem fazer operações nesses níveis, conforme acredita o consultor.
“Esse quadro não muda o Governo inclusive faz jogo de cena em não anunciar nada em termos de intervenção no mercado de milho, pois vê uma oportunidade de recompor os seus estoques. O Governo pode comprar entre 3 e 4 milhões de toneladas, e não deverá dar suporte ao escoamento do excedente para a exportação, o que será indispensável neste ano. E os estoques de passagem serão grandes sem as exportações”, explica o consultor.
Já para o trigo, o USDA aumentou os estoques finais norte-americanos para 19,89 milhões de toneladas. Esse fator somado às previsões das consultorias privadas de uma safra maior é baixista para o mercado no trigo no longo prazo, segundo relata o consultor.