DA REDAÇÃO: Frente à escassez de oferta nos EUA, soja pode registrar preços mais altos

Publicado em 20/05/2013 13:43 e atualizado em 20/05/2013 16:38
Grãos: Diante da escassez de oferta, a orientação é que os produtores de soja segurem o produto, uma vez que os preços poderão melhorar. Demanda pelo produto permanece aquecida, e os EUA deverá colher a safra nova somente em setembro. Para o milho, o cenário é diferente, pois há negócios em cima da expectativa de uma grande safra norte-americana, mas que provavelmente terá perdas, em função do plantio tardio.

Na sessão desta segunda-feira (20), os futuros da soja iniciaram o pregão regular operando em campo misto. Ao longo das negociações, os preços da commodity passaram a trabalhar com mais firmeza, e encerraram a sessão com altas entre 4,50 e 16,50 pontos. A escassez de oferta no mercado interno norte-americano permanece dando suporte às cotações na Bolsa de Chicago.

Frente a esse cenário, a orientação do consultor do SIMConsult, Liones Severo, é que os produtores segurem o produto, uma vez que os preços poderão apresentar uma melhora. “Os mercados consumidores acreditam que os produtores brasileiros sempre colocam toda a safra no mercado, o que não é verdade, pois o agricultor do país, assim como, o argentino faz poupança em soja. A soja vai para o mercado, com um preço excepcional, como foi o do ano passado quando a saca chegou a ser negociada a R$ 94,00, e o produtor desovou parte de suas reservas de quatro e cinco anos, e agora vai se capitalizar novamente, guardando parte da soja para qualquer evento futuro”, explica Severo.

Paralelo a esse quadro, a demanda dos mercados consumidores pelo grão e farelo de soja permanece aquecida. Entretanto, a produção brasileira da oleaginosa já foi negociada pelas tradings, mas falta comprar o grão dos produtores, conforme destaca o consultor. E diante dessa ausência de produto, a tendência é que os preços se mantenham mais altos.

“Minha teoria, é que as cotações continuarão subindo, pois o mundo não vive sem essa soja, e não teremos o grão até a colheita da próxima safra norte-americana que deve acontecer em setembro. Então a única soja que tem é essa que está sendo disputada, enquanto que nos EUA não tem mais grão e ainda tem que abastecer o mercado interno. O ano passado aconteceu uma corrida pela soja que tinha pouca soja no Brasil, e agora tem essa corrida nos EUA, a Bolsa de Chicago representa bem o mercado interno e temos uma crise de escassez muito forte o que impacta os preços”, afirma o Severo.

Ainda na visão do consultor, a tendência é que os preços da soja voltem ao patamar de US$ 15,50/bushel. Além disso, no interior dos EUA o prêmio é positivo, de US$ 1,50, o valor é sempre negativo, segundo sinaliza o consultor. “Hoje, a soja no mercado interno norte-americano está US$ 2 por bushel acima de Chicago”, relata.

No mercado do milho, o cenário é diferente, uma vez que o cereal está sendo comercializado frente a uma expectativa de safra recorde nos EUA. No entanto, o consultor diz que a produção ainda não foi plantada e provavelmente não será uma safra recorde, pois já tem prejuízos para o plantio tardio. “E a soja também entrará em período de plantio tardio, que é mais prejudicial do que o plantio tardio do milho. Acho que temos um bom caminho pela frente e tem mais um período que pode obter melhores preços”, finaliza o consultor.

Por: João Batista Olivi/Fernanda Custódio
Fonte: Notícias Agrícolas

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