DA REDAÇÃO: Após morte de indígena, clima segue tenso em Sidrolândia (MS)
O clima na cidade de Sidrolândia (MS) permanece tenso. Nesta quinta-feira (30), durante a desocupação da Fazenda Buriti, o indígena Oziel Gabriel foi morto. A Polícia Federal admitiu o uso de armas de fogo durante a ação, pois os policiais foram recebidos de forma hostil. A sede da fazenda foi queimada, e apesar da desocupação a propriedade não foi reintegrada.
De acordo com o repórter do Canal Rural, Sebastião Garcia, a morte do índio serviu para acirrar os ânimos na região. “O clima é tenso, e a iminência de conflito ainda existe. Mas não encontrei nenhum policial tentando conter ou organizar a situação”, afirma. Ao todo, mais de 8 mil indígenas vivem espalhados em nove aldeias no município.
Em Sidrolândia (MS), os índios Terenas reivindicam uma área de 17 mil hectares, que abrange 23 propriedades rurais. Em 2010 o Ministério da Justiça reconheceu a terra como de posse permanente dos indígenas, no entanto, no ano passado os produtores rurais da região conseguiram uma decisão favorável.
Segundo o levantamento realizado pela Famasul (Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso do Sul), mais de 50 propriedades estão invadidas no estado. E pelo menos seis fazendas estão ocupadas há mais de 10 anos. O confronto de desta quinta-feira (30), aconteceu após 15 dias da primeira invasão em Sidrolândia.
No dia 15 de maio, os índios invadiram a Fazenda Buriti, e depois ocuparam as Fazendas Santa Helena, Querência e Cambará. Os produtores rurais entraram com processos e conseguiram o direito de reintegração de posse, mas no dia 21 a Justiça suspendeu a decisão, uma vez que havia a expectativa de um entendimento entre os indígenas e produtores durante a audiência pública de conciliação que ocorreu na última quarta-feira (29).
Paralelo a esse cenário, uma comitiva de parlamentares e produtores rurais do MS se reuniram com a Ministra Chefe da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, o Ministro do Desenvolvimento Agrário, Pepe Vargas, e o Ministro Luís Inácio Adams, da Advocacia Geral da União, para discutir os processos de demarcações de terras indígenas no estado.