DA REDAÇÃO: USDA não surpreende e mercados realizam lucros em Chicago
Dia após a divulgação do novo relatório mensal de oferta e demanda do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), mercados realizam lucros na Bolsa de Chicago e terminam a quinta-feira (13) no vermelho. Analistas avaliam que as projeções do departamento não trouxeram novidades, movimentando uma liquidação técnica de posições que pressionou os vencimentos mais próximos.
Para o curto prazo, a tendência ainda é de alta para os preços, haja vista que os fundamentos de oferta e demanda permanecem inalterados. A procura pela pouca soja disponível nos EUA segue bastante aquecida, inclusive pelas esmagadoras locais, além dos importadores, e esse tem sido o principal fator de suporte para o mercado. No médio e longo prazo, o mercado observa as novas previsões de clima para os EUA e o desenvolvimento da safra 2013.
Na avaliação do analista de mercado da Safras & Mercado, Paulo Molinari, os números reportados pelo USDA poderiam ser mais impactantes, uma vez que, com o atraso no plantio norte-americano do milho, a área do cereal diminuiu e a da soja aumentou. Porém, os trabalhos continuam em bom andamento no país.
A expectativa agora é para o novo relatório do departamento para os níveis de produtividade e projeção de produção para as culturas nos EUA, a ser divulgado no próximo dia 28 deste mês. Molinari afirma que é partir desses novos números que o mercado internacional deverá trabalhar pelos próximos meses, até a efetivação da safra.
Previsões climáticas para as regiões produtoras norte-americanas já indicam chuvas acima do normal no Meio Oeste e pontos com umidade mais baixa, quando os grãos estarão em pleno desenvolvimento das plantas. O consultor estima que até a próxima semana, 90% da soja tenha sido plantada, confirmando o atraso nos trabalhos do campo.
Para os preços, a tendência para o curto prazo ainda é de alta, haja vista que os estoques norte-americanos estão praticamente nulos e a demanda se volta para outras origens como o Brasil e a Argentina. Assim, no interior, os preços já são vistos mais altos para os brasileiros. Com momento bom para a comercialização tanto da safra velha como da safra nova.
Já no caso do milho, Molinari acredita em mais, pelo menos, 60 dias de movimentos especulativos em Chicago, ou até que se confirme a situação climática nos EUA e no leste europeu, no caso para o plantio do trigo. Mas ele alerta que, se confirmada uma boa safra americana, se somará à super safrinha que será colhida no Brasil e então os preços devem cair novamente.