DA REDAÇÃO: Chicago – Estoques ajustados dá suporte aos vencimentos da soja no curto prazo
Os estoques norte-americanos de soja permanecem ajustados e há possibilidade que o país tenha que importar mais produto durante este ano. Segundo o analista de mercado da Jefferies, Vinicius Ito, o USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) já revisou para cima o número de importações dos EUA no último relatório de oferta e demanda.
“O racionamento para exportação é mais evidente, no mercado interno a soja permanece sendo bem utilizada, e isso tem mantido os prêmios firmes no país”, afirma o analista. Além disso, a perspectiva é que os estoques das esmagadoras estejam mais baixos e atendam entre 1 ou 2 semanas. No entanto, os produtores dos EUA que ainda têm o produto não querem comercializar, pois sabem que há pouca oferta disponível. Frente a esse quadro, a tendência é que os preços permaneçam sustentados na Bolsa de Chicago.
O analista destaca que a grande preocupação é com o farelo de soja, uma vez que o país já exportou grande volume do produto. “E há a necessidade dos processadores em comprar o grão, justamente, para honrar as ofertas já contratadas de farelo”, explica Ito.
Paralelo a esse cenário, o departamento norte-americano deverá divulgar no final do mês de junho o relatório com número de área, produção e produtividade da safra nova. A expectativa é que o órgão reduza os números de área do milho e reporte um aumento na área de plantio da soja. Ainda no final do mês, serão anunciados os dados do estoque trimestral do país que, segundo o analista, irá determinar a tendência de preços até o final do ano.
Ainda em relação à safra nova dos EUA, o analista sinaliza que o início do plantio foi problemático, porém não há indicativos de uma produtividade menor. “Temos na verdade uma perspectiva que ainda existe tempo para o desenvolvimento da soja e é possível que tenhamos uma taxa boa, o que poderia resolver a situação do país, mas é preciso ficar de olho no clima”, relata Ito.
Por outro lado, a demanda chinesa segue com ritmo mais fraco nos EUA. Para o analista o mercado chinês observa a América do Sul, porém compra da mão-pra-boca, devido aos preços mais elevados. E com a fraca comercialização da soja na Argentina, o Brasil segue basicamente como a única origem do grão.
“Os chineses estão comprando, mas já adquiriram grandes quantidades nos últimos dois meses, e agora estão quietos para ver se o mercado recua um pouco, após as recentes altas. O mercado subiu durante as 6 semanas, então a China espera para ver se os preços caiam”, diz Ito.