DA REDAÇÃO: Altas significativas são registradas nas cotações em Chicago, enquanto dólar chega a R$ 2,22 no Brasil
O mercado internacional de grãos fechou a sessão desta quarta-feira (19) com forte alta na Bolsa de Chicago. O mercado ampliou e intensificou suas altas e o milho, por exemplo, encerrou o dia com ganhos superiores a 20 pontos. Segundo analistas, as fortes altas da soja foram motivadas pelos fundamentos ainda muito positivos, principalmente para o curto prazo.
O destaque para o dia também foi a disparada do dólar ante o real, que fechou em alta pela quarta sessão consecutiva, indo ao patamar de R$ 2,22 pela primeira vez em quatro anos e sem atuação do Banco Central (BC), após o chairman do Federal Reserve (Fed, banco central americano), Ben Bernanke, sinalizar que pode reduzir o programa de estímulo da autoridade monetária americana ainda neste ano.
A moeda americana ganhou 1,94% e foi a R$ 2,2205 na venda, maior patamar no fechamento desde 27 de abril de 2009, quando ficou em R$ 2,221. Também foi a maior alta diária desde dezembro de 2011. Segundo dados da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), o giro financeiro ficou em torno de US$ 3,9 bilhões (cerca de R$ 7,8 bilhões). Nestes quatro últimos pregões, o dólar acumulou alta de 4,08% sobre o real.
Para o analista da Safras & Mercado, Paulo Molinari, essa alta no câmbio vai exigir forte atuação do BC nos próximos dias, visto que o país vive uma crise inflacionária, que poderá aumentar inclusive os custos com combustíveis.
Por outro lado, o mercado ainda está de olho no desenvolvimento da safra nova dos Estados Unidos, onde projeções apontam para redução na área plantada de milho. Nesta tarde, a consultoria Informa Economics reduziu sua previsão de plantio de milho dos EUA para 95,262 milhões de acres, contra 96,827 milhões anteriormente. Para a soja, a estimativa de plantio caiu para 77,756 milhões de acres, ante 78,286 milhões anteriormente. A empresa ainda estimou a produção de milho no país em um recorde de 14,078 bilhões de bushels, enquanto a safra de soja foi vista em 3,366 bilhões de bushels.
Molinari afirma que as atenções do mercado devem se voltar para o próximo relatório do Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) trazendo informações da área plantada efetiva no país e os estoques trimestrais ainda existentes nas reservas, a ser divulgado no dia 28 de junho. Na previsão do analista, a área de milho deverá ser reduzido em até 2 milhões de acres, mas notícia já foi absorvida pelos preços.
O que confirma a escassez tanto da soja quanto no milho são os altos prêmios nos portos norte-americanos. Este cenário, favorece os preços no mais longo prazo.