DA REDAÇÃO: Soja – Dólar fortalecido torna os preços atrativos para exportação
Na sessão desta quinta-feira (20), as principais bolsas de valores operam em queda refletindo as notícias da economia norte-americana. Em Chicago, os futuros da soja lideram as perdas, e por volta das 15h20 (horário de Brasília) as principais posições da commodity registravam perdas entre 23,75 e 28,75 pontos. O milho e o trigo também trabalham do lado negativo da tabela.
O presidente do Federal Reserve, Ben Bernanke, anunciou nesta quarta-feira (19) que deverá reduzir os programas de injeção mensal de US$ 85 bilhões na economia norte-americana. Situação que tira a liquidez do sistema, conforme relata o analista de mercado da Corretora Jefferies, Vinicius Ito.
“Na verdade o que temos é uma inversão de posições que tinham sido montadas ao longo dos anos de crise, principalmente, em mercados emergentes. O Banco Central norte-americano despejou grandes quantidades de dólar no sistema, o que fez com a moeda barateasse. Agora, vão elevar a taxa de juros no país, e o mercado estava acostumado com dinheiro barato e em abundância no sistema”, explica o analista.
Diante desse cenário, os investidores começam a vender ativos que estavam correlacionados com ‘inchaço’ de base monetária, segundo afirma Ito. Por outro lado, o analista ainda destaca que com o dólar comercial cotado a R$ 2,26 os preços para exportação se tornam mais atrativos aos produtores rurais brasileiros. Entretanto, a tendência é que haja um encarecimento nos níveis de importações de fertilizantes e insumos.
“No curto prazo, a situação pode estimular a comercialização para exportações da soja. Porém, Chicago não vê isso com bons olhos, uma vez aumenta a competitividade brasileira, o que pode pressionar os preços, especialmente nos vencimentos de longo prazo. Para a safra velha o universo é limitado, pois os estoques nos EUA são apertados”, acredita Ito.