DA REDAÇÃO: Grãos – Produtores devem aproveitar os bons preços no mercado interno brasileiro
A alta do dólar frente ao real tem favorecido os preços da soja no mercado interno brasileiro. Nesta sexta-feira (21), a saca da oleaginosa foi negociada a R$ 74,00 no Porto de Rio Grande e R$ 71,62 no Porto de Paranaguá. Segundo o analista de mercado da Safras & Mercado, Flávio França, os atuais patamares são os melhores do ano e o cenário é favorável aos vendedores.
Por outro lado, esse câmbio distorcido provoca efeitos nas compras de insumos e também na economia como um todo. “Em uma situação de crise cambial, é difícil saber qual será o ponto de equilíbrio. No caso, os produtores precisam aproveitar os picos nos preços, já que Chicago começa a dar sinais e perder força em relação à expectativa de uma safra cheia nos EUA. Portanto, o caminho é aproveitar o momento e imaginar que esse nível de câmbio não deve se sustentar por muito tempo”, explica França.
Além disso, o analista destaca que os agricultores já vêm adquirindo os insumos antecipadamente, aproveitando as boas relações de troca. A alta na taxa de câmbio reflete especialmente nos fertilizantes, já que boa parte dos produtos é importada. “E a alta no preço é penalizada pela valorização dos insumos. No entanto, o contexto é positivo para os produtores rurais”, afirma.
Diante desse quadro, o analista orienta que os agricultores aproveitem os picos nos preços, uma vez que a elevação na taxa de câmbio não deve ter sustentação em longo prazo. O Governo brasileiro já toma medidas para tentar conter a alta e quando a taxa voltar ao patamar normal de R$ 2,00, Chicago exibe uma sinalização negativa de cotações mais baixas.
Milho – Nesta sexta-feira (21), a Agência Safras & Mercado divulgou novas estimativas para a safra brasileira do cereal. A expectativa é que sejam colhidas, um volume recorde, de 82,674 milhões de toneladas de milho na temporada 2012/13. O número é superior ao registrado no ano passado de 72,698 milhões de toneladas.
A safra de verão deverá totalizar 33,046 milhões de toneladas, contra 28,874 milhões de toneladas no ciclo anterior. Na safrinha, deverão ser colhidas 45,809 milhões de toneladas de milho, número acima das 37,976 milhões de toneladas registradas na safrinha de 2012.
A área cultivada da safra de verão apresentou uma redução, entretanto, o clima foi favorável ao desenvolvimento da cultura que registrou uma produtividade acima de média. Em contrapartida, a safrinha teve um aumento na área semeada, especialmente, no estado de Goiás, e também apresenta um bom desenvolvimento.
“Então, o produtor rural deve ter cuidado em relação ao mercado, já que teremos um mercado sobrecarregado de produto, com problemas de armazenagem e dificuldade em conseguir colocar todo o nosso excedente de milho no mercado internacional. Os agricultores devem aproveitar toda e qualquer oportunidade de negociar para exportar e negociar no mercado interno”, finaliza França.